Archive for março, 2009

LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE 1 SAMUEL

No cânon hebraico, 1 e 2 Samuel aparecem como um único volume. A Septuaginta dividiu a obra em dois volumes. O nome do livro vem de um dos três personagens principais, Samuel. Ele ocupa o centro da narrativa nos quinze primeiros capítulos. E, depois que a história passa a girar em torno de Saul, o o primeiro rei sobre Israel (Caps.10 e 15), e Davi, o rei segundo o coração de Deus (13.14; 16.1-13), Samuel continuou a desempenhar um importante papel. Samuel era levita, filho de oração de Ana e Elcana (cap.1). Foi o último dos juízes e o primeiro dos profetas. O livro de 1 Samuel registra a  transição do modelo de governo em Israel - da teocracia para a monarquia. A teocracia, que indicava o governo de Deus sobre a nação, através de homens divinamente escolhidos, como Moisés, Josué e os Juízes, terminou nos dias de Samuel (cap.8). A monarquia surgiu com Saul e Davi, ambos ungidos por Samuel, elevou a nação a um degrau mais elevado quanto à sua organização, mas, do ponto de vista espiritual, resultou num retrocesso. Por outro lado, a monarquia contribuiu na formação do cenário para a vinda de Jesus Cristo, pois segundo a carne, Jesus é descendente de Davi, o maior de todos os monarcas de Israel (2 Sm 7.16; Mt 1.1; 21.8; Mc 10.47-48).

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ENTENDENDO A FIGURA DO REMIDOR OU RESGATADOR NO LIVRO DE RUTE

Conforme a lei mosaica o remidor, ou resgatador, era um dos parentes masculinos mais próximos de um israelita e tinha diversas obrigações: Resgatar a propriedade de um israelita empobrecido (Lv 25:25); resgatar um israelita que foi vendido como escravo (Lv 25:47-50); na condição de “vingador de sangue” exercer juízo sobre um assassino (Nm 35:9-26). No livro de Rute, além de resgatar a propriedade da viúva Noemi, o resgatador deveria cumprir a Lei do Levirato, que consistia em, casar-se com a viúva de um irmão (ou parente), que faleceu sem filhos para suscitar-lhe descendentes (Dt 25:5-10; Rt 2:20; 3:9,12,13; 4:1-10; Gn 38.1-30). O propósito destes preceitos era garantir a todos os israelitas o direito à terra, à liberdade, à justiça e à continuidade da família.

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE RUTE

O livro de Rute, pode ser considerado como um epílogo feliz da “Idade da Trevas” dos israelitas – O Período dos Juízes. O livro apresenta um drama familiar e vários costumes peculiares à nação de Israel (Rt 2.20; 3.1-4; 12-14; 4.5-10).  Desse modo, podemos ver que nem tudo era idolatria, imoralidade e carnificina. Havia muita coisa boa em Israel e Rute nos dá uma idéia clara da situação geral da Palestina. No meio de muito pecado e incredulidade, havia gente que vivia e morria por Jeová e seus preceitos. Quando Abraão foi abençoado por Deus, o Senhor decretou: “…em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Esta promessa permaneceu em pé, para os judeus, sempre que eles se mantinham obedientes ao Senhor e entendiam sua missão na terra. Embora o cumprimento pleno e definitivo  tenha vindo por meio de Jesus Cristo, a história de Raabe,  no livro de Josué, e a de Rute, narrada no livro que leva seu nome, mostram que o amor de Deus é universal e que a participação em Seu reino não depende de carne e sangue, e sim, de fé e obediência. Rute aceitou tão completamente o povo de Deus e o Deus desse povo que recebeu a distinção de ser uma das quatro mulheres mencionadas na genealogia de Cristo (Rt 1.16-17; Mt 1).

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JEFTÉ OFERECEU UM SACRIFÍCIO HUMANO AO SENHOR? (Jz 11)

Em primeiro lugar é preciso lembrar quem era Jefté: Ele era o filho bastardo de um judeu chamado Gileade com uma prostituta. Foi expulso da casa de seu pai pelos meio-irmãos e tornou-se chefe de um bando de marginais (Jz 11.1-3). Seu drama familiar, somado às condições de degradação espiritual e moral em que Israel havia mergulhado naqueles dias, mostram que muito provavelmente, ele não tivesse sido instruído na Lei que proibia, terminantemente, os sacrifícios humanos (Lv 18.12; 20.2-5; Dt 12.31; 18.9-14). Sendo assim, uma das interpretações deste episódio é atribuir o voto precipitado e desastroso de Jefté à sua ignorância. Deste modo, embora a intenção de Jefté fosse demonstrar gratidão pela vitória conquistada, o presumido cumprimento daquele voto, constituiu-se num ato de abominação ao Senhor. Outra interpretação aceita por muitos é que Jefté jamais teria sacrificado sua filha única, mas que somente a consagrou à virgindade perpétua, o que decretou o fim de sua linhagem, uma das maiores maldições entre os povos do oriente (v.36-39).

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DOS JUÍZES

O livro de Juízes é o principal elo histórico entre o período das conquistas de Josué e o período dos reis de Israel. Neste tempo, Israel era uma confederação de tribos. O nome do livro deriva das pessoas que Deus levantava periodicamente para conduzir e libertar os israelitas, após se desviarem para a apostasia e caírem vítimas da opressão de nações estrangeira vizinhas. Os juízes funcionavam como chefes militares e magistrados civis. Muitos se limitavam à sua própria tribo quanto à esfera de influência, ao passo que alguns serviam a toda a nação. Moisés havia profetizado que a opressão viria da parte das nações estrangeiras sobre os israelitas como maldição da parte de Deus, se eles abandonassem a aliança estabelecida com Ele (Dt 28.15,25,33,36,37,48). O livro de Juízes registra o cumprimento histórico dessa profecia. Teologicamente, revela o declínio espiritual e moral de Israel, após seu estabelecimento na terra prometida. Este registro pode ser dividido em três partes: 1) Como Israel deixou a conquista inacabada e a decadência da nação depois da morte de Josué (1-3.6); 2) A reincidência de Israel, num ciclo vicioso de apostasia, opressão e ou servidão estrangeira, clamor a Deus e livramento por meio de líderes ungidos pelo Espírito Santo (3.7-16.31); 3) A corrupção moral e social decorrente da apostasia espiritual de Israel (17.1-21.25). Uma lição patente no livro: Os seres humanos são, por natureza, obstinadamente decadentes, nunca aprendem bem as lições que a história ensina.

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DEUS RECOMPENSA A MENTIRA?

Como explicar o fato da prostituta Raabe, depois de haver escondido os espias enviados por Josué, mentir às autoridades de Jericó, e Deus ainda usar de misericórdia para com ela e seus familiares? (Js 2.1-6; 6:22-25)

Para respondermos esta questão, precisamos em primeiro lugar nos lembrar que a mensagem bíblica, revelada tanto no A.T. como no N. T., afirma que a salvação sempre foi oferecida àqueles que não a mereciam. Jesus disse: “As sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento” (Lc 5:31 e 32). Quem era Raabe? Conforme o relato no livro de Josué, ela era uma prostituta pagã, uma pessoa de vida promíscua, muito comum entre os cananeus. Sendo assim, não possuia valores éticos e morais fortes. Além disso, tratava-se de alguém cuja consciência estava começando a ser despertada das trevas do paganismo.

Mas o fato da vida de Raabe ser poupada, sendo ela uma prostituta e havendo mentido aos emissários do rei de Jericó, não significa que Deus estivesse sancionando tais pecados explicitamente condenados no Decálogo (Êx 20:14 e 16). Deus não recompensou a mentira de Raabe e sim a sua fé (Êx 2.8-11). Nesse episódio, Deus manifestou Sua graça salvadora a uma prostituta possuída de uma fé genuína, com o propósito de salvá-la de sua vida de pecado. O mesmo poder regenerador que atuaria na vida da mulher adúltera, durante o ministério terrestre de Cristo (Jo 8:1-11), também transformou a vida de Raabe. O mesmo amor compassivo que perdoou a mentira de Abrão (Gn 12.10-20), das parteiras do Egito (Êx 1.15-20), de Davi (1 Sm 21.1-2) e de Pedro (Mt 26.69-75), perdoou Raabe. Mais tarde, ela se casou com Salmom, da tribo de Judá, tornou-se a mãe de Boaz e ancestral do rei Davi, entrando para a genealogia de Jesus (Mt 1.5,6,16).  A experiência da prostituta Raabe é uma das mais belas histórias de salvação pela graça “mediante a fé” (Ef 2:8) encontradas nas páginas do Antigo Testamento. Como Abraão foi justificado pela fé (Gn 15:6; Rm 4), e essa fé se evidenciou na prática de boas obras (Tg 2:21-24), assim também o foi Raabe. Hebreus 11:31 declara que “pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída com os desobedientes, porque acolheu com paz aos espias”.

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE JOSUÉ

Josué é o primeiro dos livros históricos do A.T. e descreve o início da história de Israel como nação. No Egito, a família de Jacó se transformou num grande povo, no deserto este povo recebeu de Deus uma Lei que os distinguiria de todos os demais povos. Agora, eles passam a conquistar a terra prometida que os transformariam, finalmente, numa grande nação. O livro foi escrito como um registro da fidelidade de Deus, no cumprimento de suas promessas a Israel. As grandes vitórias da conquista aparecem como atos libertadores de Deus a favor de Israel sobre a decadente cultura dos povos cananeus (Dt 9.4-5; 20.16-17). A violência narrada neste livro deve ser vista sob esta perspectiva. A arqueologia confirma que os cananeus eram caracterizados por extrema depravação e crueldade quando Israel ocupou a terra. Josué é o principal livro do A. T. a descrever o conceito da “guerra santa” como missão específica e limitada, prescrita por Deus.  O livro registra muitos aspectos admiráveis da vida de Josué como o escolhido de Deus para completar a missão iniciada por Moisés de estabelecer Israel como o povo da aliança. Dos muitos milagres registrados no livro os dois mais notáveis são a queda de Jericó (cap 6) e o dia em que o sol parou sobre Gibeom (cap 10).

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