Archive for abril, 2009

SALMOS MESSIÂNICOS

Quando observamos os sermões de Pedro, no dia de Pentecostes (At 2) e no sinédrio (At 4) vemos que eles estão cheios de citações do livro de Salmos, enquanto textos como Isaías 53, por exemplo, não são mencionados. Por quê? A resposta é muito simples. O livro de Salmos trata dos anseios humanos. Eles falam de sentimentos pessoais de frustração, de dor, de medo, de pedido de vingança. Falam da dependência de Deus, dos sonhos, das orações por justiça, por intervenção divina. Mas também falam dos sentimentos coletivos de Israel. A nação pede ajuda quando está assolada por seca ou por alguma praga. Clama diante de um inimigo mais poderoso. Pede perdão quando experimenta o juízo divino. Enfim, projeta sua confiança num libertador ou salvador. Todas estas expressões práticas de fé, tornaram os Salmos material essencial para dar substância ao Messias. O termo “Messias” corresponde ao hebraico para “Cristo”, que por sua vez se traduz do grego como “Ungido”.  Ele aparece várias vezes nos Salmos para descrever a natureza do futuro Guia de Israel. Em sua pregação, Pedro está demostrando a seus ouvintes judeus que Jesus Cristo é o Messias esperado, o Ungido de Deus.  

Os salmos mais reconhecidamente messiânicos são: 2, 8, 16, 22, 24, 40, 41, 45, 68, 69, 72, 87, 89, 102, 110, 118, 132.  De modo geral, eles enfatizam três temas encontrados na teologia do Novo Testamento, em seu aspecto cristológico:

1) A humilhação e exaltação do Messias (Fl 2.9-11); 2) As tristezas presentes e o livramento futuro de Israel por sua atitude em relação ao Messias (Rm cap. 9 a 11); 3) As bênçãos futuras de todas as nações através do Messias reinante de Israel (At 11.18).

De modo mais específico eles apresentam vários aspectos da vida e obra do Messias: Pré-existência - Sl 45:6, ver Hb 1:8; Sl 110:1, ver Mt 22:42-46; Encarnação - Sl 89:3-4; 132:11 ver At 2:29,30; Sl 89:20, 29, 34-37, Mt 1:1-17 e Lc 1:31-33; Vida - Sl 118:22-23, ver Mt 21:42, 44 e 1 Pd 2:4-7; Sl 2:1-3, ver At 4:25-28; Sl 41:9; 55:12-14, ver Jo 13:18, 26, 27; Morte – Sl 22:1,6,7,11, ver Mt 27:46; Sl 22:12-18, ver Mt 27:35;  Ressurreição - Sl 16:10, ver At 13:33-37 e 1 Co 15.4; Reinado – Sal 2 e 24; Sl 110:1; ver At 2:33-36; Sacerdócio - Sl 110:4, ver Zc 6:12-13; Sl 40:7-8 ver Hb 10:5-10; 9:23-26.

Os salmos messiânicos abrangem as eras eternais, vendo o Ungido como Deus que se tornou homem, como homem que foi tragicamente rejeitado e morto e como Senhor que foi exaltado aos céus de onde veio.  Ali, como rei e sacerdote, ele consumará o plano de Jeová para todas as eras. 

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SALMOS IMPRECATÓRIOS - Desejar a destruição dos inimigos, não contraria a ordem bíblica de amá-los?

SALMOS IMPRECATÓRIOS - Esses salmos são assim chamados por expressarem o desejo do salmista pela destruição de seus inimigos, apelando a Deus para que derrame sua ira sobre ele. São eles: Salmo 35, 52, 54, 55, 58, 59, 69, 83, 109 e 137.

As imprecações, ou “maldições” contra os ímpios eram fundamentalmente éticas, pois eram geradas por um profundo sentido de justiça; visavam a punição do ímpio pecador; nasciam do zelo ardente do Salmista pela honra de Deus e pelo bem do povo. Por isso, eram formuladas sobretudo na forma de orações. Frequentemente, as imprecações tinham como contexto a “lei de talião” (Êx 21. 12-25), que expressa, embora de forma rude, o princípio de que toda a culpa deve ser punida. Nas imprecações, o piedoso de algum modo identificava sua própria causa com a de Deus;  via nas afrontas que sofria dos malvados,  a ofensa da própria honra divina. Os inimigos do salmista não eram simples inimigos pessoais, mas encarnação do mal, gente que com suas maquinações tentava afastar o justo da prática do bem colocando em perigo a fidelidade à Lei do Senhor. Por isso, quem imprecava exprimia o desejo legítimo de que não houvesse mais inimigos de Deus. Quanto mais veemente e inflamada a imprecação, maior amor a Deus era atribuído ao salmista.

Quem imprecava não queria exercer a justiça/vingança por sua própria conta por isso, pedia que o próprio Deus a exercesse. Segundo a fé nos tempos do salmista, Deus, reto e justo, sempre dava a cada um segundo as suas próprias obras durante a vida terrena, pois ainda não havia a noção de retribuição escatológica no âmbito eterno. A transferência dos desejos de vingança para Deus permitia ao fiel uma espécie de catarse (purificação ou purgação da alma por meio de uma descarga emocional ), impedindo a explosão da violência física.

Portanto, uma visão bíblica dos salmos imprecatórios não os reconhece como problemáticos. Invocar a punição divina para os inimigos de Deus e de seu povo é orar de acordo com a vontade revelada de Deus. Afinal, esses salmos são uma parte da infalível e inerrante Escritura, “inspirada” e “útil” (2 Tm 3.16-17), especialmente como expressão dos lamentos e da revolta interior do cristão, que ainda hoje e mais do que no tempo dos salmistas hebreus depara constantemente com o mal moral. Ainda hoje, eles podem servir para as vítimas do mal elevarem o seu clamor pela manifestação da justiça de Deus, num protesto confiante e pacífico, frente à violência e o medo que as cercam.  

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DOS SALMOS – PARTE 2

O livro dos Salmos é composto por cinco coletâneas de cânticos sagrados:  Livro I ( 1-41); Livro II – (42-72); Livro III –(73-89);  Livro IV – (90-106); Livro V – (107-150);  cada coleção terminando com uma bênção proferida sobre Deus.

 Cabeçalhos - Os cabeçalhos, ou epígrafes, que se encontram no início de muitos dos salmos identificam o escritor, fornecem o contexto histórico, dão instruções musicais, ou indicam o uso ou o objetivo do salmo. (ver 3, 4, 5, 6, 7, 30, 38, 60, 92, 102). Ocasionalmente, os cabeçalhos fornecem as indicações para se encontrar outros textos que esclarecem determinado salmo. (Compare Sl 51 com 2 Sa 11:1 a 12:14). Provavelmente, alguns destes cabeçalhos foram incluídos pelos próprios autores, outros, pelos compiladores dos salmos. O que dá apoio a isso é que, já no tempo da escrita dos Rolos do Mar Morto dos Salmos (entre 30 e 50 a.C), os cabeçalhos já faziam parte do texto principal.

Escritores. Dentre os 150 salmos, os cabeçalhos atribuem 73 a Davi, 11 aos filhos de Corá, 12 a Asafe, um a Moisés, um a Salomão e um a Etã, o ezraíta. Os autores de quase um terço dos salmos não são identificados.

As datas dos salmos abrangem, pelo menos, nove séculos. Moisés escreveu no 15º século a.C., e alguns dos salmos foram escritos depois da volta do cativeiro (p.e. Sl 147:2), que aconteceu no 6º século a.C. A grande maioria vem da época do reino unido, quando a arca da aliança foi levada a Jerusalém e o templo foi construído naquela cidade. Acredita-se que Esdras, o escriba, tenha sido o responsável pela organização do livro dos Salmos na forma que o conhecemos hoje.

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Por que Jesus escolheu o Salmo 22 para ser citado na hora mais crucial de sua trajetória terrestre – a cruz?

O Salmos 22 faz parte de uma trilogia de salmos - 22, 23 e 24. Os três falam de Jesus: O 22 fala da cruz do Cordeiro; o 23, fala do cajado do Bom Pastor; e o 24, fala da coroa do Rei. Mas por que ele estava na mente de Jesus naquele momento crucial? Este salmo foi composto por Davi e começa descrevendo suas tribulações, provavelmente, enquanto fugia da perseguição feroz, empreendida por Saul. Entretanto, à medida que prosseguimos na leitura, observamos que, quando Davi falava de seus problemas e desafios, ele sempre se voltava para Deus. Palavras de frustração se alternam com palavras de fé; expressões de lamento e decepção se alteram com expressões de louvor, adoração e vitória. O esboço da primeira parte desse salmo é: problemas, Deus, problemas, Deus, problemas, Deus. Para entender o que Jesus estava dizendo quando gritou na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”, temos de lembrar que, em seus dias, as pessoas não possuíam cópias pessoais das Escrituras às quais pudessem recorrer. Para enfrentar a tentação, refutar erros e meditar nas promessas de Deus , elas precisavam memorizar as Escrituras. Por isso, citar a primeira parte de um salmo fazia com que os ouvintes judeus se lembrassem do salmo inteiro. Gostaria de sugerir, então, que quando Jesus citou Salmos 22 na cruz, Ele não tinha em mente simplesmente a dor do salmo, mas também o louvor do salmo. Pedro escreveu sobre “os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam” (1 Pd 1:11). O salmo 22 não fala só de sofrimento, mas também da glória que o seguiria. Jesus não tinha em mente só a tragédia da cruz, mas a vitória; não só o peso do pecado, mas também a expectativa pela volta ao lar celestial. As palavras de Jesus, devidamente entendidas, não eram apenas um grito de desespero mas também um grito de vitória!

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DOS SALMOS

O livro dos Salmos é o maior livro da Bíblia, contêm o capítulo mais extenso (119.1-176), o mais curto (117.1,2) e o versículo central da Bíblia (118.8). É o hinário e o livro devocional dos hebreus e tem sido o livro mais lido e estimado do Antigo Testamento pela maioria dos crentes em todos os tempos. É o livro do Antigo Testamento mais citado no Novo (186 citações). A característica principal do livro é um estilo poético chamado paralelismo, que utiliza mais o ritmo das idéias do que o ritmo da rima ou da métrica. Muitos foram escritos como cânticos de louvor e adoração a Deus por seus atributos e seus feitos;  outros como expressão de confiança, amor, ações de graças e anelo por maior comunhão com Ele; outros ainda descrevem desânimo, intensa aflição, medo, ansiedade, humilhação e clamor por livramento.

Nenhum outro livro da Bíblia expressa tão bem a gama inteira das emoções e necessidades humanas em relação a Deus e à vida. Suas expressões de louvor e devoção nascem nos mais altos picos do triunfo, e seus brados de desespero ecoam dos vales mais profundos do sofrimento.

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Se foi Deus quem incitou Davi a fazer o recenseamento em Israel, por que ficou irado contra o povo? (2 Samuel 24 e 1 Crônicas 21)

Para responder esta pergunta, precisamos considerar os dois capítulos. No primeiro, encontramos o que parece ser uma discrepância: “Mais uma vez irou-se o Senhor contra Israel e incitou Davi contra o povo, levando-o a fazer um censo de Israel e Judá” (2 Sm 24:1). Se Davi estava obedecendo a uma ordem do Senhor, como poderia estar errado? Entretanto, na passagem paralela em 1 Cr 21:1, lemos: “Satanás levantou-se contra Israel e levou Davi a fazer um recenseamento do povo.” Combinando os dois textos, concluimos que: “Mais uma vez irou-se o Senhor contra Israel, [e com a Sua permissão], Satanás se levantou contra Israel e incitou Davi a fazer um recenseamento do povo”.

Deus não é o autor do mal e nem pode ser tentado pelo mesmo ( Tg 1.13-15), porém, muitas vezes Ele se utiliza de pessoas boas ou más, anjos bons ou ruins para executar os Seus desígnios. Deus certamente permitiu que Satanás tentasse a Davi, mas a vontade de Davi estava implícita neste pecado (24.3,4; 1 Cr 21.3,4), pois ele poderia ter considerado as palavras de Joabe e resistido a  Satanás (1 Co 10.13; Ef 4.27; Tg 4.7). Tudo indica que o recenseamento foi motivado pela arrogância de Davi; pelo desejo de avaliar o seu poder de combate, esquecendo-se que as vitórias foram obtidas unicamente mediante a graça e o poder de Deus (Jr 9:23-24).

A expressão: “mais uma vez irou-se”, pressupõe que Israel tinha cometido mais um grave delito contra Deus. Embora o texto não mencione qual foi o pecado, este era o momento de executar a disciplina.  

A grande lição do texto é nunca confiar  em nossas estatísticas, recursos e esforços. Isto depõe contra nossa dependência no Senhor (Sl 127:1). É perigoso fazer do ministério um  ídolo, e tornar a obra mais importante que o Senhor. Entre os três castigos que o Senhor lhe propôs, Davi optou por cair “nas mãos do Senhor, pois são grandes as Suas misericórdias”. Davi sabia que estaria bem nas mãos de Deus, mesmo debaixo de Sua disciplina (Hb 12:6).

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE 2 SAMUEL

Dando sequência ao primeiro volume, o segundo livro de Samuel, tem o propósito de registrar a expansão da monarquia depois da morte de Saul. Ele registra o governo de Davi, primeiramente como rei apenas sobre Judá (Caps 1-4), e depois, como rei sobre todo o Israel (caps 5-24). O livro também relata o estabelecimento do centro político de Israel em Jerusalém (5.6-12), e do religioso em Sião (5.7; 6.1-17), promovendo a unificação do reino. Os primeiros 10 capítulos narram os triunfos militares, políticos e espirituais de Davi com um destaque especial ao pacto que Yavé estabeleceu com ele de que um descendente seu se assentaria sobre o seu trono para sempre (7.8-17; 23.1-7). O ponto crítico do livro é o adultério de Davi com Bate-Seba e o assassinato de Urias (11). Depois destes episódios, o fracasso moral e a rebelião se abateram sobre a sua família (caps 12-17) e a nação inteira (caps 18-20). Davi se arrependeu de seu pecado e foi restaurado, entretanto, as conseqüências da sua transgressão continuaram até o fim da sua vida e até mesmo depois dela (12.7-12).

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