Archive for maio, 2009
LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE PROVÉRBIOS
Posted by lidia in Antigo Testamento, Provérbios, lançando luz on maio 28th, 2009
O reino de Israel estava no seu apogeu. Havia paz e prosperidade (1 Rs 4:20-28). O rei Salomão, filho do rei Davi, tornou-se conhecido por sua sabedoria e riquezas dadas por Deus. Era poeta, filósofo, botânico, zoólogo, arquiteto de palácios e de um Templo que se tornou uma das maravilhas do mundo. Compôs 3.000 provérbios e 1005 cânticos (1 Rs 4:29-34). A maior parte do livro de Provérbios é de sua autoria.
Um dos cinco livros poéticos, Provérbios é composto de uma coletânea de máximas organizadas em forma de poemas didáticos, que giram em torno de um tópico geral – a sabedoria. São declarações breves e incisivas para comunicar verdades morais e espirituais, sobre a conduta. Sua forma faz com que seja fácil seguir a linha de raciocínio, tornando-os interessantes e facilmente ensinados, aprendidos e lembrados. A idéia central fica gravada na memória do leitor ou ouvinte.
O livro apresenta uma piedade prática com instruções para a vida diária. Mostra que o divórcio entre a vida prática e a religiosa gera hipocrisia e ruína. Com essa praticidade, Provérbios divide os homens em duas classes – sábios e tolos. Os sábios ouvem as ordens de Deus e obedecem a elas. Os tolos ignoram a vontade de Deus. Entretanto, a verdadeira sabedoria tem o seu princípio, meio e fim, no temor ao Senhor que consiste em, odiar toda espécie de mal (1:7; 8:13). Assim, ela deve reger todas as relações da vida: os deveres para com Deus e o próximo, de pais e filhos, cônjuges e de cidadãos. Provérbios também nos ensina que, os empreendimentos humanos só podem ter êxito quando o Senhor deles participa (3:5-6; 16:1-3; 18:10; 20:22; 28:25, 26; 30:5, 6). Alguém parafraseou bem o propósito do livro descrito em 1:2-4 como: “diminuir o número dos tolos e aumentar o número dos sábios”.
A sabedoria contida em Provérbios é tão significativa hoje quanto era na época em que foi escrito. O livro aguça o apetite pela sabedoria que só pode ser satisfeita em Cristo. Somente em Jesus veio o exemplo pleno de tudo o que Provérbios exorta. Ponto por ponto, as qualidades da sabedoria são qualidades de Cristo. A obediência a Deus, boa conduta, paciência, confiabilidade, humildade, diligência, a percepção das coisas como elas são de fato - todas essas características, são perfeitamente ilustradas no Salvador.
A Excelência da Palavra de Deus nos Salmos (1, 19 e 119)
Posted by lidia in Antigo Testamento, Salmos, lançando luz on maio 22nd, 2009
Estes Salmos têm o propósito de demonstrar a excelência da Palavra de Deus. Para fazer isto os autores enfatizam a necessidade que temos de ouvir e praticar aquilo que Deus ordena nela, bem como os benefícios decorridos desta obediência. No salmo 1, o autor faz distinção entre dois grupos de pessoas, a partir da atitude que cada um toma com relação à Palavra de Deus. O primeiro grupo, são os justos que “tem o seu prazer na lei do Senhor e na sua lei meditam de dia e de noite”. O segundo grupo, dos que desprezam a lei do Senhor e terminarão na ruína, são os ímpios. Os autores dos salmos 19 e 119, ampliando esse conceito, lançam mão do uso de sinônimos da expressão hebraica – Toráh, que é geralmente traduzida por Lei. São eles:
LEI- Não está restrita à lei dada a Moisés, mas corresponde à lei de Deus no sentido mais amplo possível e que compreende absolutamente toda a determinação soberana e perfeita de Deus, revelando todo os aspectos de sua santidade, glória, poder e graça em seu relacionamento com o homem, para nossa obediência e conformidade
TESTEMUNHOS - A cópia da lei de Deus colocada dentro do Santo dos Santos no Tabernáculo e do Templo em Jerusalém servia de testemunha de acusação contra o povo de Israel diante do único Deus verdadeiramente misericordioso e perdoador.
PRECEITOS – Trás a idéia de diretrizes de Deus para que o homem saiba reconhecer Seus pensamentos, seus desejos, ou seja, as instruções dadas aos homens para dirigi-los na conduta correta.
DECRETOS - Falam da força obrigatória e da permanência das Escrituras em se tratando de leis registradas para sempre, perpetuamente.
MANDAMENTOS - São literalmente ordens diretas daquele que é onipotente, e tem que ser obedecido.
JUÍZOS - É a expressão de senso de valor de Deus do que é o bem e o mal; Seu exato julgamento, verdadeiro e justo, sem erro, daquele que é denominado Pai de Justiça, que julgará os vivos e os mortos.
PROMESSAS- Ela se refere a qualquer coisa que tenha sido dita por Deus. Como nem tudo o que Deus fala é promessa no sentido nato da palavra em português os tradutores têm optado por traduzir muitas vezes essa expressão por “palavra”.
TEMOR – Descreve o poder da Palavra de penetrar no íntimo do homem, gerando nele a reverência devida a Deus pelo reconhecimento claro de Sua santidade e glória. E que portanto, pode nos levar a uma vida de santidade e adoração.
PALAVRA - Este é o termo mais comum e abrange toda a verdade de Deus seja ela declarada, prometida ou mandada.
Além destas expressões, outras também são usadas no salmo 119 para se fazer referência à revelação de Deus. “teus caminhos” (v. 3 e 37); “teu nome” (v. 132); “tua fidelidade” (v .90). Estas duas últimas expressões servem para se referir à imutabilidade daquilo que Deus tem decretado.
Os Salmos dos Degraus, das Subidas, de Romagem ou de Peregrinação - Salmos 120-134
Posted by lidia in Antigo Testamento, Salmos, lançando luz on maio 8th, 2009
Por quê esses títulos foram dados para esse conjunto de salmos? Jerusalém recebia adoradores de toda parte do país durante o ano inteiro. Mas, em três ocasiões do ano as estradas que conduziam à cidade se enchiam de peregrinos que para lá se dirigiam a fim de adorar a Deus no Templo. Normalmente, iam com suas famílias, como no caso de Elcana e Ana (1 Sm 1.1s) e José, Maria e Jesus (Lc 2.41s). Deus havia ordenado que o seu povo se reunisse pelo menos três vezes ao ano para celebrar suas bênçãos. Eram três festas: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos - (Êx 23.14-17; Dt 16.16s). Jerusalém era, geograficamente, a cidade mais alta da Palestina, portanto, os que viajavam em sua direção, passavam a maior parte do caminho subindo. Ao chegarem à cidade, continuavam a subir, agora pelos 15 degraus que davam acesso ao pátio dos gentios no Templo. Durante o trajeto, além de caminhar, conversar com os companheiros de viagem, os peregrinos cantavam. Portanto, estes salmos recebem esse título porque eram cantados durante a viagem, ou na entrada do Templo. Alguns estudiosos têm sugerido que cada um deles era cantado em um dos degraus. Outros, sugerem que são cânticos que eram entoados nos diversos estágios da caminhada rumo à Jerusalém.
Em cada um deles há um desejo intenso por parte dos “romeiros” de estarem “na Casa do Senhor” (134:1), porque é onde mora o Senhor (132:14). Portanto, o salmista, apesar da viagem exaustiva e cheia de perigos e ciladas, fica alegre “quando lhe disseram: Vamos à Casa do Senhor” (122:1). Um olhar geral para a série toda, revela que este subir não era apenas literal, era também metafórico: a viagem para Jerusalém dramatizava uma vida vivida no sentido vertical, em direção a Deus, uma existência que avançava de um nível para outro numa crescente maturidade. Aquilo que Paulo descreve como “a soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fl 3:14). A figura dos hebreus cantando estes quinze salmos enquanto deixavam de lado suas atividades rotineiras e peregrinavam de suas vilas e aldeias, fazendas e cidades a caminho de Jerusalém, é o melhor cenário para compreendermos a vida como uma jornada de fé. Não há nada melhor do que estas “canções da estrada”, para aqueles que percorrem o caminho da fé em Cristo.