Archive for junho, 2009
LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE CANTARES DE SALOMÃO
Posted by lidia in Antigo Testamento, Cânticos, lançando luz on junho 12th, 2009
Considerando que Salomão escreveu 1005 cânticos (1 Rs 4:32), este seria o “Cântico dos cânticos”, ou seja, “o melhor de todos os seus cânticos”. Esse livro está classificado como Literatura Sapiencial, ou Literatura de Sabedoria – gênero que apresenta a filosofia ou a maneira de viver do povo hebreu e de outros povos do Oriente Próximo.
Os personagens principais são o amado (talvez Salomão) e a amada, chamada de Sulamita. Esta talvez seja Abisague, moça de Suném, vilarejo da Galiléia, que cuidou do rei Davi quando ele estava idoso. Ela foi causa de briga entre Salomão e seu irmão Adonias (1 Rs 1:1-4 e 2:13-25). A troca de “Sunamita” para “Sulamita” teria se dado para combinar com “Salomão”. Em hebraico “Salomão” e “Sulamita” têm a mesma raiz (shlm). Como personagens secundários, aparecem ainda os guardas (5:7) e as “filhas de Jerusalém” (5:8), que fazem o coro.
O tema geral do livro é o amor. Mas que tipo de amor? Se bem que o amor platônico (sem sexo) esteja presente no livro, é o amor físico, erótico, que é ressaltado. Deve-se lembrar que a Bíblia não considera a sexualidade como algo pecaminoso. Ao contrário, a sexualidade é apresentada como um dom divino. Nossos primeiros pais foram criados seres sexuados, para procriação, companheirismo e apoio mútuo, e isso “era muito bom” (Gn 1:27, 31). Cantares celebra a dignidade e a pureza do amor humano. Neste mundo pecaminoso, em que a corrupção moral nos bombardeia por todos os lados, em que tentações ferozes nos assaltam e tentam prostrar-nos, quebrando os padrões divinos para o casamento, Cantares nos lembra de maneira particularmente bela como é puro e nobre o verdadeiro amor.
Sete princípios básicos sobre amor e sexualidade são apresentados em Cantares: (1) que o sexo é uma dádiva do Criador, (2) que o envolvimento sexual deve ocorrer com maturidade e responsabilidade, (3) que a virgindade deve ser preservada até o casamento, (4) que o amor deve ser expresso livremente, (5) que, à semelhança de uma planta, o amor deve ser cultivado e regado, (6) que o amor verdadeiro inclui sexo, mas vai além dele, e (7) que o amor, como Deus, é eterno.
A SABEDORIA É FONTE DE FELICIDADE OU DE TRISTEZA?
Posted by lidia in Antigo Testamento, Dificuldades na Caminhada Bíblica, Provérbios on junho 12th, 2009
Em Eclesiastes 1.18 Salomão afirma: “Porque na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência aumenta tristeza”. Entretanto, Provérbios 3.13 afirma: “Feliz o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento”. Afinal de contas, a sabedoria traz tristeza ou felicidade? Na verdade, tudo depende do propósito pelo qual a sabedoria ou o conhecimento são buscados. Em Eclesiastes, Salomão está em busca da sabedoria “debaixo do sol” (1.3), isto é, à parte de Deus, como fonte de felicidade. Ele conclui, acertadamente, que isso é ”vaidade e correr atrás do vento” (1.4). Entretanto, se a sabedoria é vista como base no “temor do Senhor” (Pv 1.7), então ela é o meio segundo o qual realmente se obtém a verdadeira felicidade. Isto, porque sabedoria não é acumulo de conhecimento, pelo conhecimento, mas viver a vida em harmonia com os mandamentos de Deus.
LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE ECLESIASTES
Posted by lidia in Antigo Testamento, Eclesiastes, lançando luz on junho 5th, 2009
O livro de Eclesiastes é uma retrospectiva da vida vazia em que o rei Salomão viveu seus últimos dias, com o coração desviado do temor do Senhor (1 Rs 11:1-8). O propósito do livro é descobrir qual o valor ou o sentido da vida. Se em Provérbios, Salomão apresenta argumentos divinos na busca da sabedoria, agora em Eclesiastes, ele apresenta argumentos humanos que descrevem sua própria busca pessoal. O tema é definido em 1.3: “Que vantagem tem o homem de todo o seu trabalho, que ele faz debaixo do sol?” Ou, em outras palavras: “pode a verdadeira sabedoria, que trás sentido à vida, ser encontrada por um ser humano à parte da revelação de Deus?”. A busca do Pregador é por algum tipo de valor fixo, imutável, que possa ser achado nesta vida (“debaixo do sol”), e servir como base de uma vida satisfatória. O termo hebraico traduzido por “valor” é yitron (1.3) e também pode ser traduzido por “ganho”, “vantagem”. “Vaidade” é uma palavra–chave no livro, traduzida do termo hebraico hebel (lit. “fôlego”), indicando assim aquilo que é mortal, transitório e efêmero. Tentando cada um dos caminhos propostos pela humanidade para alcançar o valor procurado, ele os acha fugazes e transitórios (“vaidade”, “aflição de espírito”). A “sabedoria” humana de 1.12-18 está desprovida de valor verdadeiro. Igualmente, a resposta também não é encontrada no prazer, na riqueza, em grandes realizações (2.1-11), em uma doutrina de compensação (2.12-17) ou no materialismo (2.18-26). Qual deve ser nossa atitude diante do fato de que nenhuma dessas coisas têm valor permanente? A resposta introduz o tema secundário do livro: devemos desfrutar tanto a vida como também as coisas que Deus tem concedido (3.11-12; 5.18-20; 9.7-10), lembrando que, no final, Deus nos julgará pelo modo como fizemos isso (11.7-10). Finalmente, a busca pelo sentido da vida encontra seu fim no temor (reverência) e na obediência a Deus. Isso precisa acontecer, mesmo que durante esta vida não haja justiça verdadeira, pois Deus no fim, trará a juízo tudo o que existe (11.9; 12.14). Com esta observação profunda Salomão encerra o livro.