Archive for agosto, 2009

LANÇANDO MAIS LUZ SOBRE O LIVRO DE 1 CRÔNICAS

A mensagem essencial do primeiro livro de Crônicas é: Deus, como Senhor e Soberano, abençoando a obediência e punindo a desobediência. O pensamento chave é: “Tu reinas sobre tudo” (29.11-12). Do início ao fim do livro, Deus é engrandecido e recebe a merecida soberania em Israel e, ainda que muitas vezes ignorado e desobedecido, Ele é sempre Senhor e Soberano.  Deus é glorificado nos Seus caminhos e obras cuidando daqueles que nele confiam e servem (4:9-10; 5:20; 11:14; 12:18;  14:2, 10, 14-15). Apesar da crescente corrupção e iniqüidade de seu povo, Deus assenta-se como Rei. Através de Crônicas compreendemos a história de Israel do ponto de vista celeste. Crônicas mostram que, embora a desgraça tivesse caído sobre o reino de Judá, Deus mantinha as promessas que havia feito à nação e continuava a realizar o seu plano para o seu povo. Como base para esta afirmação, o escritor conta às conquistas de Davi e Salomão, as reformas de Josafá, Ezequias e Josias e fala do povo que continuou fiel a Deus. Descreve também o início da adoração a Deus no Templo de Jerusalém e a organização do ministério dos sacerdotes e dos levitas, que eram os encarregados do culto. Davi é apresentado como aquele que planejou o Templo e o culto embora tivesse sido Salomão quem veio a construí-lo.

Como já vimos, no original hebraico, 1 e 2 Crônicas aparecem reunidos em um livro apenas, assim como 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis. Foram divididos em dois livros pelos tradutores da Septuaginta, quando traduziram o Velho Testamento para o grego. A razão é que a língua grega requer, pelo menos, um terço mais de espaço do que o hebraico, daí a necessidade de dividi-los, porque os rolos tinham um comprimento limitado, e para facilitar o seu uso. Com isto em mente, observe a seqüência lógica e perfeita dos dois livros: Eles começam com o rei Davi e terminam com o rei de Babilônia; começa relatando a dedicação do Templo e termina com a destruição do mesmo; abre com o primeiro sucessor de Davi e termina com o último sucessor de Davi, libertado da casa de servidão. 

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE 1 CRÔNICAS

Os dois livros de Crônicas eram, originalmente um só livro. Mas, já que temos narrativas semelhantes nos livros de Samuel e Reis, por que foram escritos? Considere a situação. O exílio na Babilônia havia terminado. Os judeus foram restabelecidos em sua terra. Entretanto, existia a tendência perigosa de se desviarem novamente da adoração de Deus no templo reconstruído em Jerusalém. Esdras recebeu autorização do rei da Pérsia para nomear juízes e instrutores da lei de Deus. Eram necessárias genealogias exatas para garantir que apenas pessoas autorizadas servissem no sacerdócio e também para confirmar as heranças tribais, das quais o sacerdócio recebia seu sustento. Devido às profecias sobre o Reino, também era vital um registro claro e fidedigno da linhagem de Judá e de Davi.

Esdras desejava tirar os judeus restabelecidos de seu estado de apatia e incutir neles a convicção de que eles eram, de fato, herdeiros do Pacto com Deus. Por isso, apresentou-lhes uma narrativa completa da história da nação e da origem da humanidade, remontando até o primeiro homem, Adão.  Uma vez que o reino de Davi era o foco desse Pacto, ele ressaltou a história de Judá, omitindo quase inteiramente as dez tribos ao norte (Israel). Apontou os pecados que levaram à derrubada do reino, salientando também, ao mesmo tempo, as promessas de restauração. Frisou a importância da adoração pura, focalizando a atenção nos inúmeros pormenores relacionados ao Templo, seus sacerdotes, os levitas, os mestres de canto, e assim por diante. O livro se divide naturalmente em duas partes: os primeiros 9 capítulos,  tratam primariamente de genealogias, e os últimos 20 capítulos,  abrangem os eventos desde a morte de Saul até o fim do reinado de Davi. Primeiro Crônicas também foi de grande proveito para a Igreja primitiva. Mateus e Lucas puderam recorrer às suas genealogias para provar claramente que Jesus Cristo era o “filho de Davi” e o Messias com direito legal ao trono eterno (Mt 1:1-17; Lc 3:23-38).

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS

O livro de Lamentações é uma coleção de poemas que têm como tema, a queda de Jerusalém. Durante quatro décadas Jeremias predisse a destruição de Jerusalém porém, seus moradores não lhe deram ouvidos e prosseguiram em seus caminhos de rebelião obstinada. Finalmente, no ano 589 a. C., ele assistiu o cumprimento de suas mais sombrias profecias. Jerusalém foi sitiada e capturada e, depois de saqueada,  totalmente destruída por Nabucodonosor, rei da Babilônia. A fome, a espada e outros horrores trouxeram à cidade um sofrimento pavoroso –  uma penalidade direta da parte de Deus, por causa dos pecados do povo, dos profetas e dos sacerdotes. O povo escolhido e protegido perdeu tudo e estava numa situação de desesperança. Cumpriu-se Deuteronômio 28:45-65.

Agora, na mais extrema angústia e esmagadora derrota, sem haver absolutamente esperança de conforto de alguma fonte humana, o profeta aguarda a salvação da mão do grande Senhor do universo. No meio de todo o flagelo de Jerusalém, Lamentações expressa confiança de que Deus mostrará benevolência e misericórdia, se lembrará de Sião e a trará de volta (3:31,32).  O livro expressa esperança em “novos dias”, como no tempo antigo, quando os reis Davi e Salomão reinavam em Jerusalém. Ainda vigora o pacto de Deus com Davi para um reino eterno! Se Israel realmente se arrepender e voltar pra Deus, haverá misericórdia, perdão e restauração. Deus não rejeitará para sempre. “As suas misericórdias certamente não acabarão. São novas cada manhã” (3:22-23).  E continuarão para com os que amam a Deus até que, sob o seu justo domínio do Reino, toda criatura que vive exclame em adoração: “A minha porção é o Senhor”  (5:24).

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A BÍBLIA AFIRMA QUE DEUS É UM DEUS DE VERDADE, QUE NÃO PODE MENTIR, NEM TENTAR OUTROS A PECAR (Nú 23.19; Tg 1.13). ENTÃO COMO ELE PÔDE TER ENGANADO JEREMIAS?

Algumas versões da Bíblia (p.e. a NVI), traduzem o texto de Jeremias 20.7 da seguinte forma: “Senhor, tu me enganaste, e eu fui enganado…”. Na versão Revista e Corrida lemos: “Iludiste-me, ó Senhor, e iludido fiquei;…”. A palavra hebraica (patah) traduzida como o verbo “enganar” ou “iludir” nestas versões, não pressupõe um engano moral. Ela pode ser traduzida pelo verbo “seduzir” ou “persuadir”, como na versão Revista e Atualizada. O sentido é o de que Deus persuadiu ou constrangeu Jeremias a exercer um ministério a respeito do qual ele não tinha plena consciência de todas as conseqüências, que no caso, foram extremamente dolorosas para Jeremias. Esta pode ser uma boa descrição do que acontece no casamento. Quem, a não ser alguém muito tolo ou cínico, poderia insistir na tese de que todo romance e todo cortejo é moralmente um engano, simplesmente porque os cônjuges não puderam antever tudo o que aquele relacionamento traria para a vida de ambos?

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LANÇANDO MAIS LUZ SOBRE O LIVRO DE JEREMIAS

O livro de Jeremias é essencialmente uma coletânea de profecias, dirigidas principalmente a Judá (caps. 2—29), mas também a nove nações estrangeiras (caps. 46—51); estas profecias focalizam principalmente o juízo, embora haja algumas que falam sobre a restauração do povo de Deus (caps. 30—33). Essas profecias não estão dispostas numa ordem  rigidamente cronológica ou temática, embora o livro de Jeremias tenha a estrutura global. Parte do livro está escrita em linguagem poética, enquanto que outras têm a forma de prosa ou narrativa. Suas mensagens proféticas estão entrelaçadas com os seguintes aspectos históricos: 1) a vida e ministério do profeta ( caps. 1; 34—38; 40—45); 2) a história de Judá, principalmente durante o
período dos reis: Josias (caps. 1—6), Joaquim (7—20) e Zedequias (21—25; 34), inclusive a queda de Jerusalém (cap. 39); e 3) eventos internacionais que envolviam Babilônia e outras nações (25—29; 46—52).
Assim como Ezequiel, Jeremias usa muita simbologia para ilustrar de modo claro a sua mensagem profética: o cinto apodrecido (13.1-14), a seca (14.1-9), a proibição divina de não se casar ou ter filhos (16.1-9), o oleiro e o barro (18.1-11), o vaso do oleiro, que se fragmentou (19.1-13), os dois cestos de figos (24.1-10), o jugo no seu pescoço (27.1-11), a compra de um terreno na sua cidade natal (32.6-15) e as grandes pedras colocadas no pavimento de tijolos de Faraó (43.8-13). A compreensão clara que Jeremias tinha da sua chamada profética, juntamente com as freqüentes reafirmações de Deus (1.17; 3.12; 7.2,27,28; 11.2,6; 13.12,13; 17.19,20), capacitaram-no a proclamar com ousadia e fé a palavra profética a Judá, apesar de esta nação sempre reagir com hostilidade, rejeição e perseguição (15.20,21). Após a destruição  de Jerusalém, Jeremias foi levado contra sua vontade ao Egito, onde continuou profetizando até a sua morte (caps. 43-44).

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE JEREMIAS

O ministério de Jeremias foi dirigido ao reino do Sul, Judá, durante os últimos quarenta anos de sua história (626 – 586 a.C.). O Profeta Jeremias viveu numa época perigosa e turbulenta (640 a 587 a.C). Ele iniciou seu ministério no reinado de Josias, um rei bom que adiou temporariamente o juízo de Deus prometido por causa do governo terrível de Manassés. Os acontecimentos estavam mudando rapidamente o Oriente Próximo. Josias tinha iniciado uma reforma, que incluía a destruição dos altares pagãos em Judá e Samaria. Entretanto, a reforma teve um efeito pouco duradouro sobre o povo. Assurbanipal, o último grande rei assírio, morreu em 627 aC. A Assíria estava enfraquecendo, e Josias expandindo o seu território para o norte. A Babilônia, sob o domínio de Nabopolasar, e o Egito, sob Neco, estavam tentando sustentar sua autoridade sobre Judá. Em 609 a.C., Josias foi morto em Megido ao tentar impedir o Faraó Neco de ir contra o que restava da Assíria. Três filhos de Josias (Joacaz, Jeoaquim e Zedequias) e um neto (Joaquim) sucederam-no no trono. Jeremias viu a insensatez da linha de ação política desses reis e alertou-os sobre os planos de Deus para Judá, mas nenhum deles deu atenção às advertências. Jeoaquim foi abertamente hostil a Jeremias e Zedequias foi um governante fraco e vacilante, buscando às vezes os conselhos de Jeremias, outras vezes permitindo que os inimigos de Jeremias o maltratassem e o aprisionassem. Jeremias, um homem de coração sensível e quebrantado, mas chamado para levar uma mensagem extremamente severa, via seu sofrimento se intensificando à medida que a palavra de Deus era repudiada por seus familiares e amigos, pelos profetas, sacerdotes e reis, e pela totalidade do povo de Judá. Infelizmente, ele viveu para ser testemunha das invasões babilônicas a Judá, que resultaram na destruição de Jerusalém e do Templo.

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