Archive for setembro, 2009

LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE DANIEL

A Babilônia subjugou todas as províncias governadas pela Assíria e consolidou seu império numa área que abrangia grande parte do Oriente Médio. Para governar um reino tão diversificado numa área de tamanha extensão, ela necessitava de uma estrutura administrativa especial. Escravos instruídos ou habilitados tornaram-se a mão de obra do governo. Daniel e outros três jovens, membros da corte israelita, que haviam sido levados para a Babilônia na primeira deportação em 606 a.C., foram selecionados para o programa de treinamento (1.3,4). Seu nome em hebraico, que significa “Deus é meu Juíz”, foi mudado, de acordo com o panteão de deuses babilônicos, para Beltessazar (1.7), “Que Bel proteja a sua vida” ou “Príncipe de Bel” (cognato de Baal). Seus amigos também tiveram seus nomes mudados: Hananias (“Iahweh tem sido gracioso”) foi chamado Sadraque, “Servo de Aku”, o deus da lua Sin; Misael (“semelhante a Deus”) foi chamado Mesaque, “Quem é igual a Aku”; e Azarias (“Quem Iahweh ajuda”) foi chamado Abede-nego, “Servo de Nebo”.

Com 20 anos de idade, Daniel foi declarado governador da província da Babilônia, chefe supremo de todos os sábios e o principal conselheiro de Nabucodonosor (2.48-49).   Ele e seus amigos exerceram grande influência sobre os judeus cativos levados à Babilônia, ajudando muito suas vilas e colônias agrícolas. Profetizou durante 67 anos (603-536 a.C.), servindo cinco reis babilônios e dois reis medo-persas. No governo de três deles (Nabucodonosor, Belsazar e Dario), Daniel serviu como primeiro ministro. Daniel era um homem resoluto, corajoso, sábio, cheio de fé, e homem de oração. O texto de 6.3-4 descreve-o como tendo “espírito excelente”, “fiel”, e “sem erro ou falta” (irrepreensível). Os textos de 9.23 e 10.11 e 19 chamam-no três vezes de “muito amado” (altamente estimado).

 

Daniel, Ezequiel e Zacarias, no AT e o Apocalipse, no NT, pertencem ao tipo de literatura conhecido como apocalíptica que se caracterizava por visões e imagens simbólicas, bizarras e sobrenaturais. Tratava de catástrofes cósmicas e iminentes, mostrando as forças do bem vencendo as forças do mal. Foram escritos para encorajar os fiéis a lutarem até o final com a certeza que o bem vencerá o mal. O livro de Daniel, bem como toda a literatura apocalíptica, não nos foi dado para promover o misticismo, nem a adivinhação escatológica, mas para fortalecer nosso caráter; não para despertar nossa curiosidade, mas para promover coragem.

 

O tema do livro é: Deus é o soberano governador das nações do mundo (2.21,44; 4.17,35). A História não é uma sucessão de fatos sem nexo, nem pode ser controlada pelos homens.  Há Alguém nos bastidores, conduzindo-a para um ponto determinado. Deus é o Senhor da História. Daniel destaca os reinos dos gentios e o programa de Deus para eles. “Os tempos dos gentios” (Dn 2.36-45; 7.2-18) começaram com Nabucodonosor e terminarão quando “o Deus do céu suscitar um reino que não será jamais destruído”, o reino messiânico (Sl 2.6; Is 2.1-4; 11.1-9; Jr 33.15-21; Mq 4.7).

 

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Como pode Ezequiel 18.20 dizer que Deus não pune os filhos pelos pecados de seus pais, se o texto de Êxodo 20.5 afirma que Deus visita a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração?

Para esclarecermos esta aparente contradição entre os dois textos, precisamos fazer uma clara distinção entre “culpa pelo pecado” e “conseqüências pelo pecado”.  Nos dias do profeta Ezequiel, havia se formado em Israel o costume de se colocar a culpa dos fracassos pessoais nos antepassados (18.2). Deus então, levanta Ezequiel para ensinar ao povo o conceito da responsabilidade pessoal, quanto à culpa pelo pecado. Ele está falando que a culpa que os pais têm, por terem pecado, não se transfere para os filhos (18.3-20); mas Moisés refere-se às conseqüências dos pecados dos pais, dizendo que estas sim, passam para os filhos. Não ignoramos o fato de que pais que vivem na prática do pecado, seja ele qual for, estão estabelecendo um padrão de comportamento que, com grande probabilidade, será seguido por seus filhos, trazendo sobre eles, as mesmas conseqüências colhidas por seus pais (Gl 6.7). Entretanto, isso não significa que os filhos sejam culpados pelos pecados de seus pais. É importante observar também que a “transferência” das iniqüidades de uma geração para outra, acontece com “aqueles que O aborrecem”, isto é, aqueles que não cumprem os seus mandamentos (Êx 20.3-5).

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LANÇANDO MAIS LUZ SOBRE O LIVRO DE EZEQUIEL

Durante os anos críticos que culminaram na destruição de Jerusalém, Deus não privou os israelitas do ministério dos profetas. Jeremias atuava na própria Jerusalém, Daniel na corte de Babilônia e Ezequiel para os exilados judeus na Babilônia. Ezequiel era tanto sacerdote como profeta, assim como Jeremias e, mais tarde, Zacarias. Nos primeiros anos de seu ministério, ele proclamou o julgamento iminente de Deus contra a Jerusalém infiel e advertiu os exilados contra a idolatria (14:1-8; 17:12-21). Os judeus cativos não mostravam genuínos sinais de arrependimento. Os líderes entre eles costumavam consultar Ezequiel, mas não davam atenção às mensagens de Deus que ele lhes transmitia. Prosseguiam com a sua idolatria e práticas materialistas. A presença do Templo, em pé em Jerusalém, dava a eles a ilusão de que contavam com o favor de Deus.  A destruição do Templo, de sua cidade santa e de sua dinastia de reis foi um terrível choque, mas isto só despertou alguns poucos para se humilhar e arrepender.   

As profecias de Ezequiel, nos anos posteriores, frisam a esperança de restauração. Censuram as nações vizinhas de Judá por terem se alegrado com a sua queda. A humilhação delas, e a restauração de Israel, santificaria a Deus perante os olhos das nações. Em suma, o propósito do cativeiro e da restauração era: “Farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo Israel, …; e as nações saberão que eu sou o Senhor, o Santo em Israel.” (39:7, 22). Do começo ao fim do livro, a santidade de Deus é frisada, havendo pelo menos 60 ocorrências da expressão: “saberão que eu sou o Senhor”. Ezequiel revela que a santificação do nome de Deus é mais importante que qualquer outra coisa e, Ele santificará o Seu nome, destruindo a todos os profanadores desse nome. São prudentes todos aqueles que agora santificam a Deus na sua vida, cumprindo seus requisitos para a adoração aceitável.  

O livro divide-se de forma natural em três partes. A primeira, (caps. 1 a 24), contém avisos da destruição certa de Jerusalém. A segunda, (caps 25 a 32), contém profecias de condenação para diversas nações pagãs. A última, (caps 33 a 48), consiste de profecias de restauração, culminando na visão de um novo templo e uma nova cidade santa. De modo geral, as profecias estão em ordem cronológica, bem como de tópicos.

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE EZEQUIEL

O contexto histórico do livro de Ezequiel são os primeiros anos do exílio Babilônico. Nabucodonosor levou cativos os judeus de Jerusalém para a Babilônia em três etapas: 1) em 605 a.c., jovens judeus escolhidos forma deportados, entre eles Daniel e seus três amigos; 2) em 597 a. C., 10.000 cativos foram levados à Babilônia. Entre eles se achavam a família do rei e os príncipes; os valentes, os poderosos; os artífices e construtores e Ezequiel; 3) em 586 a. C., os babilônicos destruíram totalmente a cidade e o templo, e a maioria dos sobreviventes foi transportada para o cativeiro. O ministério de Ezequiel ocorreu durante os sete anos que precederam a destruição de Jerusalém (593-586 a.C.),  e os quinze anos seguintes (586-571).  Durante esses anos críticos, Deus não privou a si nem aos israelitas dos serviços de um profeta. Jeremias atuava em Jerusalém, Daniel na corte de Babilônia e Ezequiel era o profeta entre os exilados judeus em Babilônia.

Ezequiel, cujo nome significa “Deus fortalece”, era de família sacerdotal (1.3), e passou os vinte e cinco primeiros anos da sua vida em Jerusalém. Estava se preparando para o trabalho sacerdotal do templo quando foi levado prisioneiro à Babilônia. Lá, recebeu sua chamada profética da parte de Deus, e a partir daí ministrou fielmente durante vinte e dois anos, pelo menos. Ezequiel tinha dezessete anos quando Daniel foi deportado, portanto, os dois eram praticamente da mesma idade. Ezequiel e Daniel foram contemporâneos de Jeremias, porém mais jovens que ele e, provavelmente, foram por ele influenciados (Dn 9.2). Quando Ezequiel chegou à Babilônia, Daniel já era bem conhecido; Ezequiel refere-se a ele três vezes no seu livro (14.14,20; 28.3). Ao contrário de Daniel e Jeremias, Ezequiel era casado (24.15-18), e vivia como um cidadão comum entre os exilados judeus. Nabucodonosor permitiu que os israelitas tivessem as suas próprias casas, servos, e que praticassem o comércio. (Ez 8:1; Jr 29:5-7; Ed 2:65) Se fossem diligentes, poderiam prosperar. Entretanto, morando no meio dum poderoso império, cercados de um povo de costumes estranhos e de adoração pagã, cairiam nos laços da religião e do materialismo babilônicos? Continuariam rebeldes contra Deus? Aceitariam o seu exílio como disciplina procedente dele? Estes eram os desafios que o profeta Ezequiel teria que enfrentar durante o seu ministério.

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Como Elias poderia ter enviado uma carta ao rei Jeorão, depois de sua partida para o céu? (2 Cr 21.11,12)

Quando Jeorão se tornou rei em Judá, ele “fez altos nos montes de Judá, e seduziu os habitantes de Jerusalém à idolatria, e fez desgarrar a Judá”.  O versículo seguinte diz que, em resposta aos pecados de Jeorão, o profeta Elias enviou-lhe uma carta descrevendo o juízo de Deus sobre ele, sua casa e seu reino. Entretanto, se, aparentemente,  Elias tinha sido trasladado antes do reinado de Jeorão, então como poderia ter enviado essa carta a Jeorão? Para esclarecer essa aparente contradição, precisamos voltar ao texto de 2 Reis 2.9-14. Alí o escritor afirma simplesmente que, Elias foi trasladado durante o reinado de Jorão, filho de Acabe, que reinou em Israel de 852 a 841 a. C., sem contudo, especificar a data exata. Jeorão, filho de Josafá, reinou sobre Judá de 848 a 841 a. C.. Portanto, como Elias foi trasladado num certo dia durante o reinado de Jorão de Israel, que reinou quase que no mesmo período que Jeorão reinou sobre Judá, é perfeitamente razoável que ele tenha enviado aquela carta repreendendo  Jeorão por sua idolatria (2  Cr 21. 12-15), uma que, com certeza, sua trasladação só teria ocorrido após o envio dela.

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE 2 CRÔNICAS

 

Como já vimos, 1 e 2 Crônicas eram originalmente um só livro. Cobrem o mesmo período da história de 1 e 2 Reis, mas sob a perspectiva espiritual do reino de Davi. Em Reis, temos a história sob o ponto de vista profético e moral; em Crônicas, temos o registro da dinastia de Davi sob a ótica sacerdotal e espiritual. Segundo Crônicas registra o período que vai do começo do reinado de Salomão, em 971 a. C., até o decreto de Ciro, rei da Pérsia, que autorizou aos judeus voltar para Jerusalém e reconstruir o Templo em 538 a.C.. O reino do Norte (Israel) é mencionado somente quando de alguma forma está envolvido nos assuntos do reino do Sul (Judá). A antiga tradição judaica afirma que Esdras é o seu autor (veja a semelhança entre 2 Cr 36.22,23 e Ed 1.1-3). Esdras era escriba e profeta e desempenhou um papel significativo na comunidade de exilados que retornou à cidade de Jerusalém. Tudo o que havia restado dos gloriosos reinados de Davi e Salomão era a pequena província de Judá. Segundo Crônicas está dividido assim: O reinado de Salomão (1-9);  A revolta das tribos do Norte (10);  Os reis de Judá (11.1-36.12);  A queda de Jerusalém (36.13-23).  Veja a seguir, a lista dos reis de Judá, o tempo de reinado de cada um, uma avaliação de seu caráter e as referências nos livros de Reis e Crônicas, desde a divisão do Reino até a queda de Jerusalém:

01.    Roboão – Reinou 17 anos – Quase sempre mau – 1 Rs 12.1-24; 2 Cr 10.1-11.23

02.     Abias – Reinou 3 anos – Quase sempre mau – 1 Rs 15.1-8; 2 Cr 13.1-22

03.    Asa – Reinou 41 anos – Bom – 1 Rs 15.9-24; 2 Cr 14.1-15

04.    Josafá – Reinou 25 anos – Muito bom – 1 Rs 22.41-51; 2 Cr 17.1-19

05.    Jeorão – Reinou 8 anos – Mau – 2 Rs 8.16-24; 2 Cr 21.1-20

06.    Acazias – Reinou 1 ano – Mau - 2 Rs 8.25-29;  2 Cr 22.1-9

07.    Atalia – Reinou Atalia – Perversa - 2 Rs 11.1-21;  2 Cr 22.10-23.21

08.    Joás – Reinou 40 anos - Quase sempre bom - 2 Rs 12.1-21;  2 Cr 24.1-27

09.    Amazias – Reinou 29 anos - Quase sempre bom - 2 Rs 14.1-22;  2 Cr 25.1-28

10.  Uzias – Reinou 52 anos -  Bom - 2 Rs 15.1-7;  2 Cr 26.1-23

11.  Jotão – Reinou 16 anos – Bom - 2 Rs 15.32-38;  2 Cr 27.1-9

12.  Acaz – Reinou 16 anos – Perverso - 2 Rs 16.1-20;  2 Cr 28.1-27

13.  Ezequias – Reinou 29 anos - O melhor - 2 Rs 18.1-20.21; 2 Cr 29.1-32.33

14.  Manassés – Reinou 55 anos - O pior - 2 Rs 21.1-18;  2 Cr 33.1-20

15.  Amom – Reinou 2 anos - Muito mau - 2 Rs 21.19-26;  2 Cr 33.21-25

16.  Josias – Reinou 31 anos - Muito bom - 2 Rs 22.1-23.30;  2 Cr 34.1-35.27

17.  Jeoacaz – Reinou 3 meses – Mau - 2 Rs 23.31-33; 2 Cr 36.1-3

18.  Jeoaquim – Reinou 11 anos – Perverso - 2 Rs 23.34-24.6;  2 Cr 36.4-8

19.  Joaquim – Reinou 3 meses – Mau - 2 Rs 24.8-17;  2 Cr 36.9-10

20.  Zedequias – Reinou 11 anos – Mau - 2 Rs 24.18-25.7;  2 Cr 36.11-21

 

 

 

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