Archive for dezembro, 2009

LANÇANDO LUZ SOBRE A EPÍSTOLA AOS HEBREUS

A carta aos Hebreus não identifica seu autor. Tem sido atribuída a Paulo, Barnabé, Lucas, Apolo, entre outros. A despeito de sua identidade, seu autor possuía um sólido entendimento do Antigo Testamento. Ele se dirige aos cristãos judeus, conhecedores das Escrituras e, especialmente dos rituais de sacrifícios da Lei.  Por serem alvos de intensa perseguição, como resultado de sua fé, muitos estavam desanimados e em dúvida sobre seu compromisso com Cristo. Consideravam o retorno ao judaísmo, submetendo-se novamente às exigências da Lei de Moisés. Por isso, muitos já tinham deixado de reunir-se com seus irmãos (10:19-39). O escritor de Hebreus estava determinado a mostrar aos seus leitores a incoerência desse retrocesso. Seu propósito era mostrar a glória transcendente do cristianismo em comparação com o judaísmo, cujos valores relacionavam-se às coisas terrenas: um tabernáculo ou templo terreno, sacerdotes terrenos, sacrifícios terrenos, uma aliança que prometia a prosperidade terrena. Em contraste, Cristo está “à destra da majestade, nas alturas” (1.3), onde distribui as bênçãos celestes (8.6; 11.16; 12.22-24). O tema de Hebreus é a superioridade de Jesus Cristo. O autor demonstra que Jesus é o Filho de Deus, superior aos anjos (1:3-6), a Abraão (7:1-7), a Moisés (3:1-6) e aos profetas (1:1, 2). De fato, Cristo foi designado herdeiro de todas as coisas, coroado de glória e honra, sustentando com seu poder todas as obras das mãos de Deus ( 1:2; 2:7-8). Não somente Jesus é um Legislador superior, mas sua aliança é superior à aliança Mosaica (caps. 8-10). De fato, “melhor” ou “superior” são as palavras chave do livro (1:4; 7:22; 8:6). O clímax da epístola é a apresentação do ministério Sumo Sacerdotal de Jesus que recebeu esse cargo por invocação direta de Deus, e não por herança humana (5.1-6). Enquanto o sacerdote araônico tinha que oferecer sacrifícios continuamente por seus próprios pecados, bem como pelos pecados de outras pessoas, Cristo ofereceu de uma vez por todas a Si mesmo, sem pecados, como sacrifício perfeito (7.26-28). Tendo sido posto à prova em todos os sentidos, ele é um Sumo Sacerdote capaz de compadecer-se das nossas fraquezas e pode vir em nosso auxílio ( 2:17, 18; 4:14-16).  

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LANÇANDO LUZ SOBRE AS EPÍSTOLAS PAULINAS - PARTE 3 CARTAS PASTORAIS - 1 TIMÓTEO, TITO e 2 TIMÓTEO

Depois da prisão de Paulo em Roma, verificou-se uma mudança em seu ministério. Agora, apoiava-se cada vez mais no auxílio dos seus companheiros mais novos, ainda em liberdade. As epístolas pastorais, 1 Timóteo, Tito e 2 Timóteo, pertencem a esta fase da sua carreira. Paulo as escreveu para jovens pastores para instruí-los quanto  às responsabilidades administrativas nas igrejas locais. As informações dessas cartas tratam de eventos ocorridos após o encerramento do livro de Atos e reforçam a hipótese de dois períodos distintos de aprisionamento em Roma (Fl 1.19, 25 e 2.24; 2 Tm 4.6-8). Daí, se conclui que Paulo escreveu 1 Timóteo e Tito entre esses dois períodos de prisão, e 2 Tm durante seu segundo aprisionamento em Roma, pouco antes do seu martírio que, segundo a tradição da igreja primitiva, foi por decaptação.

1 TIMÓTEO – Um jovem pastor, tímido e ainda sem experiência, foi deixado incumbido da importante igreja de Éfeso e de outras na Ásia. Embora Paulo planejasse visitá-lo, escreveu esta carta para encorajá-lo e instruí-lo em relação a adoração pública (2. 1-15), as qualificações dos oficiais da igreja (3.1-13), a confrontação ao ensino ds falsos mestres (1.3-20 e 4.1-16) e sobre as relações com os diversos grupos na igreja (5.1-6.21).

TITO - Foi deixado por Paulo na ilha de Creta no Mediterrâneo, para organizar os novos crentes em igrejas locais. Paulo o intruiu a escolher os líderes com base no caráter e na conduta aprovados em sua vida doméstica e nos negócios (1.5-9); os falsos mestres deveriam ser detectados e afastados imediatamente (1.10-16); todos os membros da igreja estimulados a viver de modo digno do evangelho em que alegam crer (cap. 2 e 3).

2 TIMÓTEO - A despeito das difíceis circunstâncias de Paulo em seu segundo período de aprisionamento, esta é uma carta de encorajamento que estimula Timóteo a permanecer firme no cumprimento de sua tarefa divinamente designada lançando mão Palavra de Deus para destruir os obstáculos à expansão do evangelho,  perseverando durante a provação atual (cap. 1 e 2) e suportando a provação futura (cap. 3 e 4).

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LANÇANDO LUZ SOBRE AS EPÍSTOLAS PAULINAS – PARTE 2 CARTAS DA PRISÃO - EFÉSIOS, FILIPENSES, COLOSSENSES e FILEMOM

A prisão de Paulo não encerrou seu ministério. Através de seus amigos e cooperadores, ele se manteve em contato com as igrejas. O exílio forçado deu a ele mais tempo para oração e contemplação, e enriqueceu a teologia contida nas cartas que enviou às igrejas nesse período. Enquanto estava preso em Roma, Paulo escreveu Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom.  Seu apelo ao imperador trouxe a atenção do governo romano para o cristianismo e uma oportunidade para demonstrar o poder do Evangelho. Isso fez a Igreja sair da sombra do judaísmo e ganhar seu lugar como um movimento independente. Assim, estava pronta para avanços maiores na expansão missionária. 

EFÉSIOS –Ao escrever esta carta, Paulo tinha o propósito de ajudar os efésios a crescerem na fé, no amor, na sabedoria e na revelação do Pai da glória (1.15-17). Lembrando-lhes da posição que ocupavam em Cristo, Paulo os exorta a andar de modo digno dessa posição (4.1-3; 5.1-2). Ele ensina sobre a realidade da batalha espiritual, cuja vitória dependia da submissão à Cristo (cap 6).  

FILIPENSES – Paulo escreveu para agradecer a contribuição  recebida da Igreja em Filipos, que desde o início demonstrava um forte zelo missionário (4.15-16). Paulo, embora preso, exorta seus leitores a sempre se regozijarem no Senhor (4.4). Para ele, a verdadeira alegria não é uma emoção superficial que dependeu de circunstâncias favoráveis do momento, mas resulta da comunhão constante com Cristo.

COLOSSENSES – Paulo escreve para combater uma antiga forma de gnosticismo, que ensinava que Jesus não era nem completamente Deus e nem completamente homem, mas apenas um dos seres “semidivinos” que ligavam o abismo entre Deus e o mundo. Paulo apresenta Cristo como o Senhor supremo, o Deus  encarnado, cuja suficiência conduz o crente à Deus Pai (1.13-23), e as implicações práticas da união do crente com Cristo (caps 3  e 4).

FILEMOM - Um apelo pessoal de Paulo a Filemom, um rico senhor de escravos que havia se tornado cristão. Onésimo, um de seus escravos tinha fugido para Roma, depois de roubar seu senhor (11,18). Lá, entrou em contato com o preso Paulo, que o levou a Cristo (10). De acordo com a lei romana, os escravos fugitivos podiam ser punidos até com a morte. Paulo, cria que Filemom ouviria seu apelo, perdoando e restaurando Onésimo, por causa de sua fé e amor pelo Senhor (vs 5,21).

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