Cantares de Salomão não foi aceito de imediato como inspirado por Deus. Haviam muitas dúvidas se ele deveria ou não ser incluído no cânon bíblico. Pareceres favoráveis e desfavoráveis, geravam calorosas discussões quanto ao fato dele pertencer ou não ao conjunto das santas revelações divinas para os homens. Toda oposição à sua inclusão se devia a natureza erótica do seu conteúdo. A solução para este dilema foi interpretá-lo não no sentido literal, mas como uma alegoria. Mesmo depois de incluído no cânon, essa interpretação prevaleceu durante muitos séculos tanto entre judeus, quanto entre cristãos em geral. Os judeus entendiam sua mensagem como um poema alegórico do amor entre Deus e Seu povo. Seguindo esse mesmo padrão, os cristãos viam nele, a descrição alegórica do amor entre Cristo e Sua Igreja. O problema dessa interpretação era que o livro podia significar qualquer coisa que a imaginação do intérprete pudesse inventar. Isso ameaçava a credibilidade de sua mensagem. Assim, a escola de interpretação alegórica, praticamente desapareceu por se tratar de um caminho inaceitável para interpretar a Bíblia. Por esta razão, no que diz respeito à interpretação bíblica, apenas são aceitos os métodos que nos permitam extrair o significado das palavras com base no sentido claro e literal delas, como foram escritas. Fundamentados nisso, Cantares de Salomão está falando do amor humano entre um homem e uma mulher a respeito do qual Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” e também: “Por isso, deixa o homem pai e mãe, e se una à sua mulher, tornando-se os dois, uma só carne (Gn 2.18 e 24).
COMO UM LIVRO DE CONTEÚDO TÃO ERÓTICO FAZ PARTE DO CÂNON SAGRADO?
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