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LANÇANDO MAIS LUZ SOBRE O LIVRO DE 1 CRÔNICAS

A mensagem essencial do primeiro livro de Crônicas é: Deus, como Senhor e Soberano, abençoando a obediência e punindo a desobediência. O pensamento chave é: “Tu reinas sobre tudo” (29.11-12). Do início ao fim do livro, Deus é engrandecido e recebe a merecida soberania em Israel e, ainda que muitas vezes ignorado e desobedecido, Ele é sempre Senhor e Soberano.  Deus é glorificado nos Seus caminhos e obras cuidando daqueles que nele confiam e servem (4:9-10; 5:20; 11:14; 12:18;  14:2, 10, 14-15). Apesar da crescente corrupção e iniqüidade de seu povo, Deus assenta-se como Rei. Através de Crônicas compreendemos a história de Israel do ponto de vista celeste. Crônicas mostram que, embora a desgraça tivesse caído sobre o reino de Judá, Deus mantinha as promessas que havia feito à nação e continuava a realizar o seu plano para o seu povo. Como base para esta afirmação, o escritor conta às conquistas de Davi e Salomão, as reformas de Josafá, Ezequias e Josias e fala do povo que continuou fiel a Deus. Descreve também o início da adoração a Deus no Templo de Jerusalém e a organização do ministério dos sacerdotes e dos levitas, que eram os encarregados do culto. Davi é apresentado como aquele que planejou o Templo e o culto embora tivesse sido Salomão quem veio a construí-lo.

Como já vimos, no original hebraico, 1 e 2 Crônicas aparecem reunidos em um livro apenas, assim como 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis. Foram divididos em dois livros pelos tradutores da Septuaginta, quando traduziram o Velho Testamento para o grego. A razão é que a língua grega requer, pelo menos, um terço mais de espaço do que o hebraico, daí a necessidade de dividi-los, porque os rolos tinham um comprimento limitado, e para facilitar o seu uso. Com isto em mente, observe a seqüência lógica e perfeita dos dois livros: Eles começam com o rei Davi e terminam com o rei de Babilônia; começa relatando a dedicação do Templo e termina com a destruição do mesmo; abre com o primeiro sucessor de Davi e termina com o último sucessor de Davi, libertado da casa de servidão. 

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE 1 CRÔNICAS

Os dois livros de Crônicas eram, originalmente um só livro. Mas, já que temos narrativas semelhantes nos livros de Samuel e Reis, por que foram escritos? Considere a situação. O exílio na Babilônia havia terminado. Os judeus foram restabelecidos em sua terra. Entretanto, existia a tendência perigosa de se desviarem novamente da adoração de Deus no templo reconstruído em Jerusalém. Esdras recebeu autorização do rei da Pérsia para nomear juízes e instrutores da lei de Deus. Eram necessárias genealogias exatas para garantir que apenas pessoas autorizadas servissem no sacerdócio e também para confirmar as heranças tribais, das quais o sacerdócio recebia seu sustento. Devido às profecias sobre o Reino, também era vital um registro claro e fidedigno da linhagem de Judá e de Davi.

Esdras desejava tirar os judeus restabelecidos de seu estado de apatia e incutir neles a convicção de que eles eram, de fato, herdeiros do Pacto com Deus. Por isso, apresentou-lhes uma narrativa completa da história da nação e da origem da humanidade, remontando até o primeiro homem, Adão.  Uma vez que o reino de Davi era o foco desse Pacto, ele ressaltou a história de Judá, omitindo quase inteiramente as dez tribos ao norte (Israel). Apontou os pecados que levaram à derrubada do reino, salientando também, ao mesmo tempo, as promessas de restauração. Frisou a importância da adoração pura, focalizando a atenção nos inúmeros pormenores relacionados ao Templo, seus sacerdotes, os levitas, os mestres de canto, e assim por diante. O livro se divide naturalmente em duas partes: os primeiros 9 capítulos,  tratam primariamente de genealogias, e os últimos 20 capítulos,  abrangem os eventos desde a morte de Saul até o fim do reinado de Davi. Primeiro Crônicas também foi de grande proveito para a Igreja primitiva. Mateus e Lucas puderam recorrer às suas genealogias para provar claramente que Jesus Cristo era o “filho de Davi” e o Messias com direito legal ao trono eterno (Mt 1:1-17; Lc 3:23-38).

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