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Samuel realmente apareceu para a médium de En-Dor? 1 Samuel 28

Em lugar de buscar o arrependimento, quando Deus se recusou a responder-lhe, Saul foi à procura de uma médium (lit., “uma mulher possuída de Ob’, espírito de necromancia). Aparentemente, a idéia era que o mágico, quando possuído por um demônio, tornava-se como um receptáculo ou invólucro para tal espírito (Lv 20.27; Is 29.4). A despeito da campanha que ele mesmo tinha movido contra os adivinhos, anteriormente (1 Sm 28.3,9), os servos de Saul foram enviados para encontrar uma mulher assim em En-Dor. A grande questão envolvida no episódio é: Samuel realmente apareceu para Saul naquela ocasião? O sentido literal do texto tem sido negado por aqueles que se recusam a acreditar que Deus permitisse que qualquer pessoa possuída por um espírito maligno, invocasse a presença de um de seus santos “adormecidos”. Estes, interpretam a ordem de Dt 18.11, como evidência da total impossibilidade de se consultar os mortos. Entretanto, aqueles que aceitam o sentido literal do texto, argumentam que Deus enviou Samuel para confundir a necromante embusteira (1 Sm 28.12), e para pronunciar a sentença contra Saul, que mostrava-se duramente obstinado. Sendo assim, para estes, a proibição de Dt 18.11, sugere a possibilidade do contato com os mortos, embora, tal prática, comum aos povos cananeus, seja uma completa abominação ao Senhor (Dt 18.9-13). A favor desta posição, estavam a assembléia judaica e alguns dos pais da igreja como, Justino Mártir, Orígenes e Agostinho, que sempre acreditaram que Samuel realmente apareceu naquela ocasião. Por outro lado, Tertuliano, Jerônimo, Lutero e Calvino acreditavam que um demônio houvesse aparecido em forma de pessoa, fingindo ser Samuel para enganar Saul. Talvés, o mesmo espírito maligno que já o atormentava desde a sua rejeição (1 Sm 16.14-16).

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE 1 SAMUEL

No cânon hebraico, 1 e 2 Samuel aparecem como um único volume. A Septuaginta dividiu a obra em dois volumes. O nome do livro vem de um dos três personagens principais, Samuel. Ele ocupa o centro da narrativa nos quinze primeiros capítulos. E, depois que a história passa a girar em torno de Saul, o o primeiro rei sobre Israel (Caps.10 e 15), e Davi, o rei segundo o coração de Deus (13.14; 16.1-13), Samuel continuou a desempenhar um importante papel. Samuel era levita, filho de oração de Ana e Elcana (cap.1). Foi o último dos juízes e o primeiro dos profetas. O livro de 1 Samuel registra a  transição do modelo de governo em Israel - da teocracia para a monarquia. A teocracia, que indicava o governo de Deus sobre a nação, através de homens divinamente escolhidos, como Moisés, Josué e os Juízes, terminou nos dias de Samuel (cap.8). A monarquia surgiu com Saul e Davi, ambos ungidos por Samuel, elevou a nação a um degrau mais elevado quanto à sua organização, mas, do ponto de vista espiritual, resultou num retrocesso. Por outro lado, a monarquia contribuiu na formação do cenário para a vinda de Jesus Cristo, pois segundo a carne, Jesus é descendente de Davi, o maior de todos os monarcas de Israel (2 Sm 7.16; Mt 1.1; 21.8; Mc 10.47-48).

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