Archive for category Daniel

LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE DANIEL

A Babilônia subjugou todas as províncias governadas pela Assíria e consolidou seu império numa área que abrangia grande parte do Oriente Médio. Para governar um reino tão diversificado numa área de tamanha extensão, ela necessitava de uma estrutura administrativa especial. Escravos instruídos ou habilitados tornaram-se a mão de obra do governo. Daniel e outros três jovens, membros da corte israelita, que haviam sido levados para a Babilônia na primeira deportação em 606 a.C., foram selecionados para o programa de treinamento (1.3,4). Seu nome em hebraico, que significa “Deus é meu Juíz”, foi mudado, de acordo com o panteão de deuses babilônicos, para Beltessazar (1.7), “Que Bel proteja a sua vida” ou “Príncipe de Bel” (cognato de Baal). Seus amigos também tiveram seus nomes mudados: Hananias (“Iahweh tem sido gracioso”) foi chamado Sadraque, “Servo de Aku”, o deus da lua Sin; Misael (“semelhante a Deus”) foi chamado Mesaque, “Quem é igual a Aku”; e Azarias (“Quem Iahweh ajuda”) foi chamado Abede-nego, “Servo de Nebo”.

Com 20 anos de idade, Daniel foi declarado governador da província da Babilônia, chefe supremo de todos os sábios e o principal conselheiro de Nabucodonosor (2.48-49).   Ele e seus amigos exerceram grande influência sobre os judeus cativos levados à Babilônia, ajudando muito suas vilas e colônias agrícolas. Profetizou durante 67 anos (603-536 a.C.), servindo cinco reis babilônios e dois reis medo-persas. No governo de três deles (Nabucodonosor, Belsazar e Dario), Daniel serviu como primeiro ministro. Daniel era um homem resoluto, corajoso, sábio, cheio de fé, e homem de oração. O texto de 6.3-4 descreve-o como tendo “espírito excelente”, “fiel”, e “sem erro ou falta” (irrepreensível). Os textos de 9.23 e 10.11 e 19 chamam-no três vezes de “muito amado” (altamente estimado).

 

Daniel, Ezequiel e Zacarias, no AT e o Apocalipse, no NT, pertencem ao tipo de literatura conhecido como apocalíptica que se caracterizava por visões e imagens simbólicas, bizarras e sobrenaturais. Tratava de catástrofes cósmicas e iminentes, mostrando as forças do bem vencendo as forças do mal. Foram escritos para encorajar os fiéis a lutarem até o final com a certeza que o bem vencerá o mal. O livro de Daniel, bem como toda a literatura apocalíptica, não nos foi dado para promover o misticismo, nem a adivinhação escatológica, mas para fortalecer nosso caráter; não para despertar nossa curiosidade, mas para promover coragem.

 

O tema do livro é: Deus é o soberano governador das nações do mundo (2.21,44; 4.17,35). A História não é uma sucessão de fatos sem nexo, nem pode ser controlada pelos homens.  Há Alguém nos bastidores, conduzindo-a para um ponto determinado. Deus é o Senhor da História. Daniel destaca os reinos dos gentios e o programa de Deus para eles. “Os tempos dos gentios” (Dn 2.36-45; 7.2-18) começaram com Nabucodonosor e terminarão quando “o Deus do céu suscitar um reino que não será jamais destruído”, o reino messiânico (Sl 2.6; Is 2.1-4; 11.1-9; Jr 33.15-21; Mq 4.7).

 

No Comments