Archive for category Ezequiel
Como pode Ezequiel 18.20 dizer que Deus não pune os filhos pelos pecados de seus pais, se o texto de Êxodo 20.5 afirma que Deus visita a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração?
Posted by lidia in Antigo Testamento, Dificuldades na Caminhada Bíblica, Ezequiel on setembro 17th, 2009
Para esclarecermos esta aparente contradição entre os dois textos, precisamos fazer uma clara distinção entre “culpa pelo pecado” e “conseqüências pelo pecado”. Nos dias do profeta Ezequiel, havia se formado em Israel o costume de se colocar a culpa dos fracassos pessoais nos antepassados (18.2). Deus então, levanta Ezequiel para ensinar ao povo o conceito da responsabilidade pessoal, quanto à culpa pelo pecado. Ele está falando que a culpa que os pais têm, por terem pecado, não se transfere para os filhos (18.3-20); mas Moisés refere-se às conseqüências dos pecados dos pais, dizendo que estas sim, passam para os filhos. Não ignoramos o fato de que pais que vivem na prática do pecado, seja ele qual for, estão estabelecendo um padrão de comportamento que, com grande probabilidade, será seguido por seus filhos, trazendo sobre eles, as mesmas conseqüências colhidas por seus pais (Gl 6.7). Entretanto, isso não significa que os filhos sejam culpados pelos pecados de seus pais. É importante observar também que a “transferência” das iniqüidades de uma geração para outra, acontece com “aqueles que O aborrecem”, isto é, aqueles que não cumprem os seus mandamentos (Êx 20.3-5).
LANÇANDO MAIS LUZ SOBRE O LIVRO DE EZEQUIEL
Posted by lidia in Antigo Testamento, Ezequiel, lançando luz on setembro 17th, 2009
Durante os anos críticos que culminaram na destruição de Jerusalém, Deus não privou os israelitas do ministério dos profetas. Jeremias atuava na própria Jerusalém, Daniel na corte de Babilônia e Ezequiel para os exilados judeus na Babilônia. Ezequiel era tanto sacerdote como profeta, assim como Jeremias e, mais tarde, Zacarias. Nos primeiros anos de seu ministério, ele proclamou o julgamento iminente de Deus contra a Jerusalém infiel e advertiu os exilados contra a idolatria (14:1-8; 17:12-21). Os judeus cativos não mostravam genuínos sinais de arrependimento. Os líderes entre eles costumavam consultar Ezequiel, mas não davam atenção às mensagens de Deus que ele lhes transmitia. Prosseguiam com a sua idolatria e práticas materialistas. A presença do Templo, em pé em Jerusalém, dava a eles a ilusão de que contavam com o favor de Deus. A destruição do Templo, de sua cidade santa e de sua dinastia de reis foi um terrível choque, mas isto só despertou alguns poucos para se humilhar e arrepender.
As profecias de Ezequiel, nos anos posteriores, frisam a esperança de restauração. Censuram as nações vizinhas de Judá por terem se alegrado com a sua queda. A humilhação delas, e a restauração de Israel, santificaria a Deus perante os olhos das nações. Em suma, o propósito do cativeiro e da restauração era: “Farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo Israel, …; e as nações saberão que eu sou o Senhor, o Santo em Israel.” (39:7, 22). Do começo ao fim do livro, a santidade de Deus é frisada, havendo pelo menos 60 ocorrências da expressão: “saberão que eu sou o Senhor”. Ezequiel revela que a santificação do nome de Deus é mais importante que qualquer outra coisa e, Ele santificará o Seu nome, destruindo a todos os profanadores desse nome. São prudentes todos aqueles que agora santificam a Deus na sua vida, cumprindo seus requisitos para a adoração aceitável.
O livro divide-se de forma natural em três partes. A primeira, (caps. 1 a 24), contém avisos da destruição certa de Jerusalém. A segunda, (caps 25 a 32), contém profecias de condenação para diversas nações pagãs. A última, (caps 33 a 48), consiste de profecias de restauração, culminando na visão de um novo templo e uma nova cidade santa. De modo geral, as profecias estão em ordem cronológica, bem como de tópicos.
LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE EZEQUIEL
Posted by lidia in Antigo Testamento, Ezequiel, lançando luz on setembro 8th, 2009
O contexto histórico do livro de Ezequiel são os primeiros anos do exílio Babilônico. Nabucodonosor levou cativos os judeus de Jerusalém para a Babilônia em três etapas: 1) em 605 a.c., jovens judeus escolhidos forma deportados, entre eles Daniel e seus três amigos; 2) em 597 a. C., 10.000 cativos foram levados à Babilônia. Entre eles se achavam a família do rei e os príncipes; os valentes, os poderosos; os artífices e construtores e Ezequiel; 3) em 586 a. C., os babilônicos destruíram totalmente a cidade e o templo, e a maioria dos sobreviventes foi transportada para o cativeiro. O ministério de Ezequiel ocorreu durante os sete anos que precederam a destruição de Jerusalém (593-586 a.C.), e os quinze anos seguintes (586-571). Durante esses anos críticos, Deus não privou a si nem aos israelitas dos serviços de um profeta. Jeremias atuava em Jerusalém, Daniel na corte de Babilônia e Ezequiel era o profeta entre os exilados judeus em Babilônia.
Ezequiel, cujo nome significa “Deus fortalece”, era de família sacerdotal (1.3), e passou os vinte e cinco primeiros anos da sua vida em Jerusalém. Estava se preparando para o trabalho sacerdotal do templo quando foi levado prisioneiro à Babilônia. Lá, recebeu sua chamada profética da parte de Deus, e a partir daí ministrou fielmente durante vinte e dois anos, pelo menos. Ezequiel tinha dezessete anos quando Daniel foi deportado, portanto, os dois eram praticamente da mesma idade. Ezequiel e Daniel foram contemporâneos de Jeremias, porém mais jovens que ele e, provavelmente, foram por ele influenciados (Dn 9.2). Quando Ezequiel chegou à Babilônia, Daniel já era bem conhecido; Ezequiel refere-se a ele três vezes no seu livro (14.14,20; 28.3). Ao contrário de Daniel e Jeremias, Ezequiel era casado (24.15-18), e vivia como um cidadão comum entre os exilados judeus. Nabucodonosor permitiu que os israelitas tivessem as suas próprias casas, servos, e que praticassem o comércio. (Ez 8:1; Jr 29:5-7; Ed 2:65) Se fossem diligentes, poderiam prosperar. Entretanto, morando no meio dum poderoso império, cercados de um povo de costumes estranhos e de adoração pagã, cairiam nos laços da religião e do materialismo babilônicos? Continuariam rebeldes contra Deus? Aceitariam o seu exílio como disciplina procedente dele? Estes eram os desafios que o profeta Ezequiel teria que enfrentar durante o seu ministério.