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POR QUE O TEXTO DE ISAÍAS 14.4-27, É CONSIDERADO UMA REFERÊNCIA À QUEDA DE SATANÁS?

Muitos comentaristas consideram o texto de Isaías 14.4-27, juntamente com a de Ezequiel 28.11-19, como referências à queda de Satanás. Embora o contexto imediato, não trate especificamente de Satanás, a maior parte do que sabemos sobre a seu estado original, sua rebelião e sua queda, está baseado nestes dois textos. Mas, por que, já que o que lemos em Isaías é uma profecia contra o rei da Babilônia, e em Ezequiel, uma repreensão ao rei de Tiro? A Bíblia ensina que a perversidade do mundo visível é influenciada por um domínio povoado por espíritos caídos, invisíveis (Dn 10.12-13; Ef 6.12), e que, em sua campanha de frustrar os propósitos do Deus verdadeiro, esses espíritos maus são dirigidos por Satanás, o “deus deste século” (2 Co 4.4). O que chama a atenção nas profecias de Isaías e Ezequiel é o fato de que elas incluem descrições que, mesmo levando em conta a inclinação megalomaníaca dos governantes da Antiguidade, não poderiam ser atribuídas a qualquer ser humano. O emprego de termos como: “Eu subirei aos céus…”; “exaltarei o meu trono acima das estrelas de Deus…”; “me assentarei… no ponto mais elevado do monte santo…”; “serei como o Altíssimo…” (Is 14.13-14) refletiria um nível de ostentação insana, caso fosse proferido por um mero ser humano, mesmo em se tratando de um dos monarcas pagãos babilônicos, que a si mesmos divinizavam. Além disso, algumas versões (como a Vulgata) traduzem “filho da alva” (Is 14.12) com o nome de “Lúcifer”. E qual rei de Tiro poderia ser descrito como “modelo de perfeição, cheio de sabedoria e de perfeita beleza…”; “você estava no Édem…”; “você foi ungido como um querubim guardião…”; “você era inculpável em seus caminhos desde o dia em que foi criado…” (Ez 28.12,15)?

Após a queda, os rebeldes de Babel (de onde procede o termo Babilônia) estavam determinados a construir “uma cidade e uma torre” (Gn 11.4). A cidade era um centro de atividade comercial, enquanto a torre representava o ponto principal do culto pagão. É interessante notar que enquanto Ezequiel repreende severamente a Tiro – o mais importante centro de comércio e de riqueza em seus dias – Isaías denuncia Babilônia, que representa o centro da falsa religião ao longo de toda a Escritura. Talvez essa caracterização do cosmo caído ajude a explicar o salto dado pelos profetas nas passagens que consideramos. De modo específico, essas profecias foram dadas àqueles que viveram nos dias de Isaías e Ezequiel, e seu significado era imediato para eles. Contudo, passagens paralelas no NT, tais como Lucas 10.18 e Apocalípse 20.2, 3 indicam que elas podem ter uma aplicação mais ampla, ou seja, uma descrição da derrota final do Príncipe do mal que governa este mundo, a quem Deus por fim destruirá (Ap 20.10).

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE ISAÍAS

 

O livro de Isaías é citado mais vezes no Novo Testamento do que qualquer outro livro e mais vezes do que todos os outros livros proféticos juntos. Há pelo menos 150 referências e 50 citações diretas. O nome Isaias significa “O SENHOR é salvação”. Ele profetizou durante os reinados de “Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá” (1.1), entre 742 e 687 a.C., na época da fundação de Roma e dos primeiros Jogos Olímpicos dos gregos.
Isaias profetizou no período mais crucial da história de Judá e Israel. Ambos os reinos haviam experimentado quase meio século de poder e prosperidade crescentes. Israel, governado por Jeroboão II e outros seis reis de menor importância, tinha sucumbido ao culto pagão. Isaías, que era um estudioso dos assuntos mundiais, podia ver que o conflito era iminente. Finalmente, a Assíria conquistou Samaria, capital do Reino do Norte, em 721 aC.. Por algum tempo, Judá manteve uma conformidade exterior à ortodoxia, mas, gradualmente, caiu num sério declínio moral e espiritual (caps. 1 e 3). Lugares secretos de culto pagãos eram tolerados; o rico oprimia o pobre; as mulheres negligenciavam suas famílias na busca do prazer carnal; muitos dos sacerdotes e profetas tornaram-se bêbados que queriam agradar os homens. Estava claro para Isaías que a aliança registrada por Moisés em Dt 30.15-20 havia sido tão inteiramente violada, que o julgamento através do cativeiro era inevitável para Judá, assim como o fora para Israel. O
nde buscar  proteção e salvação? Embora o nome de Deus estivesse nos lábios do povo e dos sacerdotes no pequeno reino de Judá, o coração se desviara para buscar proteção em outras direções, primeiro na Assíria e depois no Egito (2 Rs 16.7; 18.21). Desvanecia a fé no poder de Deus. Quando não se tratava de idolatria explícita, prevalecia uma adoração hipócrita, baseado no formalismo e não no verdadeiro temor de Deus (1.10-17).

 


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