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A BÍBLIA AFIRMA QUE DEUS É UM DEUS DE VERDADE, QUE NÃO PODE MENTIR, NEM TENTAR OUTROS A PECAR (Nú 23.19; Tg 1.13). ENTÃO COMO ELE PÔDE TER ENGANADO JEREMIAS?

Algumas versões da Bíblia (p.e. a NVI), traduzem o texto de Jeremias 20.7 da seguinte forma: “Senhor, tu me enganaste, e eu fui enganado…”. Na versão Revista e Corrida lemos: “Iludiste-me, ó Senhor, e iludido fiquei;…”. A palavra hebraica (patah) traduzida como o verbo “enganar” ou “iludir” nestas versões, não pressupõe um engano moral. Ela pode ser traduzida pelo verbo “seduzir” ou “persuadir”, como na versão Revista e Atualizada. O sentido é o de que Deus persuadiu ou constrangeu Jeremias a exercer um ministério a respeito do qual ele não tinha plena consciência de todas as conseqüências, que no caso, foram extremamente dolorosas para Jeremias. Esta pode ser uma boa descrição do que acontece no casamento. Quem, a não ser alguém muito tolo ou cínico, poderia insistir na tese de que todo romance e todo cortejo é moralmente um engano, simplesmente porque os cônjuges não puderam antever tudo o que aquele relacionamento traria para a vida de ambos?

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LANÇANDO MAIS LUZ SOBRE O LIVRO DE JEREMIAS

O livro de Jeremias é essencialmente uma coletânea de profecias, dirigidas principalmente a Judá (caps. 2—29), mas também a nove nações estrangeiras (caps. 46—51); estas profecias focalizam principalmente o juízo, embora haja algumas que falam sobre a restauração do povo de Deus (caps. 30—33). Essas profecias não estão dispostas numa ordem  rigidamente cronológica ou temática, embora o livro de Jeremias tenha a estrutura global. Parte do livro está escrita em linguagem poética, enquanto que outras têm a forma de prosa ou narrativa. Suas mensagens proféticas estão entrelaçadas com os seguintes aspectos históricos: 1) a vida e ministério do profeta ( caps. 1; 34—38; 40—45); 2) a história de Judá, principalmente durante o
período dos reis: Josias (caps. 1—6), Joaquim (7—20) e Zedequias (21—25; 34), inclusive a queda de Jerusalém (cap. 39); e 3) eventos internacionais que envolviam Babilônia e outras nações (25—29; 46—52).
Assim como Ezequiel, Jeremias usa muita simbologia para ilustrar de modo claro a sua mensagem profética: o cinto apodrecido (13.1-14), a seca (14.1-9), a proibição divina de não se casar ou ter filhos (16.1-9), o oleiro e o barro (18.1-11), o vaso do oleiro, que se fragmentou (19.1-13), os dois cestos de figos (24.1-10), o jugo no seu pescoço (27.1-11), a compra de um terreno na sua cidade natal (32.6-15) e as grandes pedras colocadas no pavimento de tijolos de Faraó (43.8-13). A compreensão clara que Jeremias tinha da sua chamada profética, juntamente com as freqüentes reafirmações de Deus (1.17; 3.12; 7.2,27,28; 11.2,6; 13.12,13; 17.19,20), capacitaram-no a proclamar com ousadia e fé a palavra profética a Judá, apesar de esta nação sempre reagir com hostilidade, rejeição e perseguição (15.20,21). Após a destruição  de Jerusalém, Jeremias foi levado contra sua vontade ao Egito, onde continuou profetizando até a sua morte (caps. 43-44).

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE JEREMIAS

O ministério de Jeremias foi dirigido ao reino do Sul, Judá, durante os últimos quarenta anos de sua história (626 – 586 a.C.). O Profeta Jeremias viveu numa época perigosa e turbulenta (640 a 587 a.C). Ele iniciou seu ministério no reinado de Josias, um rei bom que adiou temporariamente o juízo de Deus prometido por causa do governo terrível de Manassés. Os acontecimentos estavam mudando rapidamente o Oriente Próximo. Josias tinha iniciado uma reforma, que incluía a destruição dos altares pagãos em Judá e Samaria. Entretanto, a reforma teve um efeito pouco duradouro sobre o povo. Assurbanipal, o último grande rei assírio, morreu em 627 aC. A Assíria estava enfraquecendo, e Josias expandindo o seu território para o norte. A Babilônia, sob o domínio de Nabopolasar, e o Egito, sob Neco, estavam tentando sustentar sua autoridade sobre Judá. Em 609 a.C., Josias foi morto em Megido ao tentar impedir o Faraó Neco de ir contra o que restava da Assíria. Três filhos de Josias (Joacaz, Jeoaquim e Zedequias) e um neto (Joaquim) sucederam-no no trono. Jeremias viu a insensatez da linha de ação política desses reis e alertou-os sobre os planos de Deus para Judá, mas nenhum deles deu atenção às advertências. Jeoaquim foi abertamente hostil a Jeremias e Zedequias foi um governante fraco e vacilante, buscando às vezes os conselhos de Jeremias, outras vezes permitindo que os inimigos de Jeremias o maltratassem e o aprisionassem. Jeremias, um homem de coração sensível e quebrantado, mas chamado para levar uma mensagem extremamente severa, via seu sofrimento se intensificando à medida que a palavra de Deus era repudiada por seus familiares e amigos, pelos profetas, sacerdotes e reis, e pela totalidade do povo de Judá. Infelizmente, ele viveu para ser testemunha das invasões babilônicas a Judá, que resultaram na destruição de Jerusalém e do Templo.

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