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COMO UM DEUS SANTO, QUE CONDENA O MERETRÍCIO, PÔDE ORDENAR QUE OSÉIAS SE CASASSE COM UMA PROSTITUTA?

Alguns tentam contornar essa dificuldade, alegando que a história do casamento de Oséias com uma prostituta se trata de uma alegoria. Entretanto, já que Deus obviamente, pretendia fazer disso uma ilustração dramática e chocante da infidelidade de Israel para com Ele (1.2), nada há no texto que possa levar a entender que a interpretação não seja literal. Se não fosse assim, não teria nenhum efeito sobre o povo de Israel. Além disso, é importante fazer as seguintes considerações a respeito deste episódio: 1). A ordem de Deus a Oséias não desconsidera o fato de que a prostituição seja pecado, pelo contrário, ela condena fortemente a prostituição, tanto física, como espiritual (4.11-19);  2). Oséias recebeu ordem para se casar com uma prostituta, não para adulterar com ela. Deus não lhe disse para que cometesse fornicação com ela e sim, que a tomasse como esposa, a amasse e fosse fiel a ela. Isso não apenas não viola o compromisso de casamento, como de fato, o valoriza e fortalece. Oséias deveria manter-se fiel aos seus votos matrimoniais, mesmo que sua esposa não fosse fiel aos dela;  3). O mandamento em Lv 21.14, proibindo o casamento com uma prostituta foi dado aos sacerdotes levitas, não a todos os israelitas. Salmom, por exemplo, casou-se com Raabe, que tinha a fama de ser prostituta, de cuja genealogia veio Cristo (Mt 1.5). Oséias era um profeta, não um sacerdote levita, portanto, essa ordem não se aplicava a ele;  4). Finalmente o mandamento de não se unir a uma prostituta (1 Co 6.15-19), não é um mandamento para não se casar com alguém que tenha sido prostituta. O mandamento é para aqueles que vinham tendo relações sexuais, fora do casamento.  O que também não era o caso de Oséias.

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LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE OSÉIAS

O livro de Oséias é primeiro dos chamados, Profetas Menores nas Bíblias em português, nos textos hebraicos e na Septuaginta.  Seu ministério, segue-se ao de Amós, que embora fosse de Judá, profetizou a Israel. Amós e Oséias são os únicos profetas do AT, cujos livros foram dedicados inteiramente ao Reino do Norte, anunciando-lhe a destruição iminente. Quando Oséias iniciou seu ministério, durante os últimos anos de Jeroboão II, Israel desfrutava de prosperidade econômica e paz política, que acabariam por produzir um falso senso de segurança e impunidade. Suas práticas iníquas incluíam derramamento de sangue, roubo, fornicação, adultério, culto a Baal e aos bezerros de ouro (2.13; 4.2,12,17; 8.5,6; 13.1,2).  Passados quinze anos da morte do rei, quatro de seus sucessores seriam assassinados (2Rs 14:29-15:30). A nação começou a deteriorar-se, e caminhar rapidamente para a destruição. Embora o povo continuasse a oferecer sacrifícios, rejeitava o conhecimento de Deus (4:1,6; 5.6,7; 6.6; 8.11-13). A idolatria era mais e mais aceita, e os sacerdotes não guiavam o povo nos caminhos da justiça (4.4-11). Apesar das trevas desse tempo, Oséias oferece esperança para inspirar seu povo a voltar-se novamente para Deus (12.6; 14.1-9).

Mas, o problema era: Como levar a mensagem de um Deus de amor a um povo que não estava inclinado a dar ouvidos e, provavelmente, não entender, mesmo que a ouvissem? A solução de Deus foi deixar o profeta ser o seu próprio sermão. Por ordem de Deus, Oséias casou-se com uma mulher chamada Gômer, que lhe deu três filhos (cap. 1). Após o nascimento desses filhos, Gômer abandonou Oséias em troca de seus amantes (cap. 2).  Mais tarde ela foi abandonada pelos amantes e caiu na pobreza e na escravidão, pois o capítulo 3 indica que o profeta comprou-a num mercado de escravos e acolheu-a de volta como esposa. Seu relacionamento com Gômer comparava-se ao de Deus com Israel, dispondo-se Deus a acolher de volta seu povo errante, depois que este se arrependeu de seu adultério espiritual. Em resumo, Oséias tinha de mostrar, através de seu próprio amor a Gomer, o tipo de amor que Deus tinha por Israel. A profecia de Oséias foi a última tentativa de Deus em levar Israel a arrepender-se de sua idolatria e iniqüidade, antes que Ele entregasse a nação ao seu pleno juízo.  Decorridos mais quinze anos, Samaria seria incendiada, e os israelitas, deportados para a Assíria e, posteriormente, dispersos entre as nações (2 Rs 17). A infidelidade da esposa de Oséias ilustra a infidelidade de Israel. Ela vai atrás de outros homens, a passo que Israel corre atrás de outros deuses. Gômer cometeu prostituição física; Israel, prostituição espiritual (5.4; 9.1).

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