Archive for category Antigo Testamento
LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE EZEQUIEL
Posted by lidia in Antigo Testamento, Ezequiel, lançando luz on setembro 8th, 2009
O contexto histórico do livro de Ezequiel são os primeiros anos do exílio Babilônico. Nabucodonosor levou cativos os judeus de Jerusalém para a Babilônia em três etapas: 1) em 605 a.c., jovens judeus escolhidos forma deportados, entre eles Daniel e seus três amigos; 2) em 597 a. C., 10.000 cativos foram levados à Babilônia. Entre eles se achavam a família do rei e os príncipes; os valentes, os poderosos; os artífices e construtores e Ezequiel; 3) em 586 a. C., os babilônicos destruíram totalmente a cidade e o templo, e a maioria dos sobreviventes foi transportada para o cativeiro. O ministério de Ezequiel ocorreu durante os sete anos que precederam a destruição de Jerusalém (593-586 a.C.), e os quinze anos seguintes (586-571). Durante esses anos críticos, Deus não privou a si nem aos israelitas dos serviços de um profeta. Jeremias atuava em Jerusalém, Daniel na corte de Babilônia e Ezequiel era o profeta entre os exilados judeus em Babilônia.
Ezequiel, cujo nome significa “Deus fortalece”, era de família sacerdotal (1.3), e passou os vinte e cinco primeiros anos da sua vida em Jerusalém. Estava se preparando para o trabalho sacerdotal do templo quando foi levado prisioneiro à Babilônia. Lá, recebeu sua chamada profética da parte de Deus, e a partir daí ministrou fielmente durante vinte e dois anos, pelo menos. Ezequiel tinha dezessete anos quando Daniel foi deportado, portanto, os dois eram praticamente da mesma idade. Ezequiel e Daniel foram contemporâneos de Jeremias, porém mais jovens que ele e, provavelmente, foram por ele influenciados (Dn 9.2). Quando Ezequiel chegou à Babilônia, Daniel já era bem conhecido; Ezequiel refere-se a ele três vezes no seu livro (14.14,20; 28.3). Ao contrário de Daniel e Jeremias, Ezequiel era casado (24.15-18), e vivia como um cidadão comum entre os exilados judeus. Nabucodonosor permitiu que os israelitas tivessem as suas próprias casas, servos, e que praticassem o comércio. (Ez 8:1; Jr 29:5-7; Ed 2:65) Se fossem diligentes, poderiam prosperar. Entretanto, morando no meio dum poderoso império, cercados de um povo de costumes estranhos e de adoração pagã, cairiam nos laços da religião e do materialismo babilônicos? Continuariam rebeldes contra Deus? Aceitariam o seu exílio como disciplina procedente dele? Estes eram os desafios que o profeta Ezequiel teria que enfrentar durante o seu ministério.
Como Elias poderia ter enviado uma carta ao rei Jeorão, depois de sua partida para o céu? (2 Cr 21.11,12)
Posted by lidia in 2 Crônicas, Antigo Testamento, Dificuldades na Caminhada Bíblica on setembro 8th, 2009
Quando Jeorão se tornou rei em Judá, ele “fez altos nos montes de Judá, e seduziu os habitantes de Jerusalém à idolatria, e fez desgarrar a Judá”. O versículo seguinte diz que, em resposta aos pecados de Jeorão, o profeta Elias enviou-lhe uma carta descrevendo o juízo de Deus sobre ele, sua casa e seu reino. Entretanto, se, aparentemente, Elias tinha sido trasladado antes do reinado de Jeorão, então como poderia ter enviado essa carta a Jeorão? Para esclarecer essa aparente contradição, precisamos voltar ao texto de 2 Reis 2.9-14. Alí o escritor afirma simplesmente que, Elias foi trasladado durante o reinado de Jorão, filho de Acabe, que reinou em Israel de 852 a 841 a. C., sem contudo, especificar a data exata. Jeorão, filho de Josafá, reinou sobre Judá de 848 a 841 a. C.. Portanto, como Elias foi trasladado num certo dia durante o reinado de Jorão de Israel, que reinou quase que no mesmo período que Jeorão reinou sobre Judá, é perfeitamente razoável que ele tenha enviado aquela carta repreendendo Jeorão por sua idolatria (2 Cr 21. 12-15), uma que, com certeza, sua trasladação só teria ocorrido após o envio dela.
LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE 2 CRÔNICAS
Posted by lidia in 2 Crônicas, Antigo Testamento, lançando luz on setembro 8th, 2009
Como já vimos, 1 e 2 Crônicas eram originalmente um só livro. Cobrem o mesmo período da história de 1 e 2 Reis, mas sob a perspectiva espiritual do reino de Davi. Em Reis, temos a história sob o ponto de vista profético e moral; em Crônicas, temos o registro da dinastia de Davi sob a ótica sacerdotal e espiritual. Segundo Crônicas registra o período que vai do começo do reinado de Salomão, em 971 a. C., até o decreto de Ciro, rei da Pérsia, que autorizou aos judeus voltar para Jerusalém e reconstruir o Templo em 538 a.C.. O reino do Norte (Israel) é mencionado somente quando de alguma forma está envolvido nos assuntos do reino do Sul (Judá). A antiga tradição judaica afirma que Esdras é o seu autor (veja a semelhança entre 2 Cr 36.22,23 e Ed 1.1-3). Esdras era escriba e profeta e desempenhou um papel significativo na comunidade de exilados que retornou à cidade de Jerusalém. Tudo o que havia restado dos gloriosos reinados de Davi e Salomão era a pequena província de Judá. Segundo Crônicas está dividido assim: O reinado de Salomão (1-9); A revolta das tribos do Norte (10); Os reis de Judá (11.1-36.12); A queda de Jerusalém (36.13-23). Veja a seguir, a lista dos reis de Judá, o tempo de reinado de cada um, uma avaliação de seu caráter e as referências nos livros de Reis e Crônicas, desde a divisão do Reino até a queda de Jerusalém:
01. Roboão – Reinou 17 anos – Quase sempre mau – 1 Rs 12.1-24; 2 Cr 10.1-11.23
02. Abias – Reinou 3 anos – Quase sempre mau – 1 Rs 15.1-8; 2 Cr 13.1-22
03. Asa – Reinou 41 anos – Bom – 1 Rs 15.9-24; 2 Cr 14.1-15
04. Josafá – Reinou 25 anos – Muito bom – 1 Rs 22.41-51; 2 Cr 17.1-19
05. Jeorão – Reinou 8 anos – Mau – 2 Rs 8.16-24; 2 Cr 21.1-20
06. Acazias – Reinou 1 ano – Mau - 2 Rs 8.25-29; 2 Cr 22.1-9
07. Atalia – Reinou Atalia – Perversa - 2 Rs 11.1-21; 2 Cr 22.10-23.21
08. Joás – Reinou 40 anos - Quase sempre bom - 2 Rs 12.1-21; 2 Cr 24.1-27
09. Amazias – Reinou 29 anos - Quase sempre bom - 2 Rs 14.1-22; 2 Cr 25.1-28
10. Uzias – Reinou 52 anos - Bom - 2 Rs 15.1-7; 2 Cr 26.1-23
11. Jotão – Reinou 16 anos – Bom - 2 Rs 15.32-38; 2 Cr 27.1-9
12. Acaz – Reinou 16 anos – Perverso - 2 Rs 16.1-20; 2 Cr 28.1-27
13. Ezequias – Reinou 29 anos - O melhor - 2 Rs 18.1-20.21; 2 Cr 29.1-32.33
14. Manassés – Reinou 55 anos - O pior - 2 Rs 21.1-18; 2 Cr 33.1-20
15. Amom – Reinou 2 anos - Muito mau - 2 Rs 21.19-26; 2 Cr 33.21-25
16. Josias – Reinou 31 anos - Muito bom - 2 Rs 22.1-23.30; 2 Cr 34.1-35.27
17. Jeoacaz – Reinou 3 meses – Mau - 2 Rs 23.31-33; 2 Cr 36.1-3
18. Jeoaquim – Reinou 11 anos – Perverso - 2 Rs 23.34-24.6; 2 Cr 36.4-8
19. Joaquim – Reinou 3 meses – Mau - 2 Rs 24.8-17; 2 Cr 36.9-10
20. Zedequias – Reinou 11 anos – Mau - 2 Rs 24.18-25.7; 2 Cr 36.11-21
LANÇANDO MAIS LUZ SOBRE O LIVRO DE 1 CRÔNICAS
Posted by lidia in 1 Crônicas, Antigo Testamento, lançando luz on agosto 21st, 2009
A mensagem essencial do primeiro livro de Crônicas é: Deus, como Senhor e Soberano, abençoando a obediência e punindo a desobediência. O pensamento chave é: “Tu reinas sobre tudo” (29.11-12). Do início ao fim do livro, Deus é engrandecido e recebe a merecida soberania em Israel e, ainda que muitas vezes ignorado e desobedecido, Ele é sempre Senhor e Soberano. Deus é glorificado nos Seus caminhos e obras cuidando daqueles que nele confiam e servem (4:9-10; 5:20; 11:14; 12:18; 14:2, 10, 14-15). Apesar da crescente corrupção e iniqüidade de seu povo, Deus assenta-se como Rei. Através de Crônicas compreendemos a história de Israel do ponto de vista celeste. Crônicas mostram que, embora a desgraça tivesse caído sobre o reino de Judá, Deus mantinha as promessas que havia feito à nação e continuava a realizar o seu plano para o seu povo. Como base para esta afirmação, o escritor conta às conquistas de Davi e Salomão, as reformas de Josafá, Ezequias e Josias e fala do povo que continuou fiel a Deus. Descreve também o início da adoração a Deus no Templo de Jerusalém e a organização do ministério dos sacerdotes e dos levitas, que eram os encarregados do culto. Davi é apresentado como aquele que planejou o Templo e o culto embora tivesse sido Salomão quem veio a construí-lo.
Como já vimos, no original hebraico, 1 e 2 Crônicas aparecem reunidos em um livro apenas, assim como 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis. Foram divididos em dois livros pelos tradutores da Septuaginta, quando traduziram o Velho Testamento para o grego. A razão é que a língua grega requer, pelo menos, um terço mais de espaço do que o hebraico, daí a necessidade de dividi-los, porque os rolos tinham um comprimento limitado, e para facilitar o seu uso. Com isto em mente, observe a seqüência lógica e perfeita dos dois livros: Eles começam com o rei Davi e terminam com o rei de Babilônia; começa relatando a dedicação do Templo e termina com a destruição do mesmo; abre com o primeiro sucessor de Davi e termina com o último sucessor de Davi, libertado da casa de servidão.
LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE 1 CRÔNICAS
Posted by lidia in 1 Crônicas, Antigo Testamento, lançando luz on agosto 19th, 2009
Os dois livros de Crônicas eram, originalmente um só livro. Mas, já que temos narrativas semelhantes nos livros de Samuel e Reis, por que foram escritos? Considere a situação. O exílio na Babilônia havia terminado. Os judeus foram restabelecidos em sua terra. Entretanto, existia a tendência perigosa de se desviarem novamente da adoração de Deus no templo reconstruído em Jerusalém. Esdras recebeu autorização do rei da Pérsia para nomear juízes e instrutores da lei de Deus. Eram necessárias genealogias exatas para garantir que apenas pessoas autorizadas servissem no sacerdócio e também para confirmar as heranças tribais, das quais o sacerdócio recebia seu sustento. Devido às profecias sobre o Reino, também era vital um registro claro e fidedigno da linhagem de Judá e de Davi.
Esdras desejava tirar os judeus restabelecidos de seu estado de apatia e incutir neles a convicção de que eles eram, de fato, herdeiros do Pacto com Deus. Por isso, apresentou-lhes uma narrativa completa da história da nação e da origem da humanidade, remontando até o primeiro homem, Adão. Uma vez que o reino de Davi era o foco desse Pacto, ele ressaltou a história de Judá, omitindo quase inteiramente as dez tribos ao norte (Israel). Apontou os pecados que levaram à derrubada do reino, salientando também, ao mesmo tempo, as promessas de restauração. Frisou a importância da adoração pura, focalizando a atenção nos inúmeros pormenores relacionados ao Templo, seus sacerdotes, os levitas, os mestres de canto, e assim por diante. O livro se divide naturalmente em duas partes: os primeiros 9 capítulos, tratam primariamente de genealogias, e os últimos 20 capítulos, abrangem os eventos desde a morte de Saul até o fim do reinado de Davi. Primeiro Crônicas também foi de grande proveito para a Igreja primitiva. Mateus e Lucas puderam recorrer às suas genealogias para provar claramente que Jesus Cristo era o “filho de Davi” e o Messias com direito legal ao trono eterno (Mt 1:1-17; Lc 3:23-38).
LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DE LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS
Posted by lidia in Antigo Testamento, Lamentações, lançando luz on agosto 19th, 2009
O livro de Lamentações é uma coleção de poemas que têm como tema, a queda de Jerusalém. Durante quatro décadas Jeremias predisse a destruição de Jerusalém porém, seus moradores não lhe deram ouvidos e prosseguiram em seus caminhos de rebelião obstinada. Finalmente, no ano 589 a. C., ele assistiu o cumprimento de suas mais sombrias profecias. Jerusalém foi sitiada e capturada e, depois de saqueada, totalmente destruída por Nabucodonosor, rei da Babilônia. A fome, a espada e outros horrores trouxeram à cidade um sofrimento pavoroso – uma penalidade direta da parte de Deus, por causa dos pecados do povo, dos profetas e dos sacerdotes. O povo escolhido e protegido perdeu tudo e estava numa situação de desesperança. Cumpriu-se Deuteronômio 28:45-65.
Agora, na mais extrema angústia e esmagadora derrota, sem haver absolutamente esperança de conforto de alguma fonte humana, o profeta aguarda a salvação da mão do grande Senhor do universo. No meio de todo o flagelo de Jerusalém, Lamentações expressa confiança de que Deus mostrará benevolência e misericórdia, se lembrará de Sião e a trará de volta (3:31,32). O livro expressa esperança em “novos dias”, como no tempo antigo, quando os reis Davi e Salomão reinavam em Jerusalém. Ainda vigora o pacto de Deus com Davi para um reino eterno! Se Israel realmente se arrepender e voltar pra Deus, haverá misericórdia, perdão e restauração. Deus não rejeitará para sempre. “As suas misericórdias certamente não acabarão. São novas cada manhã” (3:22-23). E continuarão para com os que amam a Deus até que, sob o seu justo domínio do Reino, toda criatura que vive exclame em adoração: “A minha porção é o Senhor” (5:24).
A BÍBLIA AFIRMA QUE DEUS É UM DEUS DE VERDADE, QUE NÃO PODE MENTIR, NEM TENTAR OUTROS A PECAR (Nú 23.19; Tg 1.13). ENTÃO COMO ELE PÔDE TER ENGANADO JEREMIAS?
Posted by lidia in Antigo Testamento, Dificuldades na Caminhada Bíblica, Jeremias on agosto 7th, 2009
Algumas versões da Bíblia (p.e. a NVI), traduzem o texto de Jeremias 20.7 da seguinte forma: “Senhor, tu me enganaste, e eu fui enganado…”. Na versão Revista e Corrida lemos: “Iludiste-me, ó Senhor, e iludido fiquei;…”. A palavra hebraica (patah) traduzida como o verbo “enganar” ou “iludir” nestas versões, não pressupõe um engano moral. Ela pode ser traduzida pelo verbo “seduzir” ou “persuadir”, como na versão Revista e Atualizada. O sentido é o de que Deus persuadiu ou constrangeu Jeremias a exercer um ministério a respeito do qual ele não tinha plena consciência de todas as conseqüências, que no caso, foram extremamente dolorosas para Jeremias. Esta pode ser uma boa descrição do que acontece no casamento. Quem, a não ser alguém muito tolo ou cínico, poderia insistir na tese de que todo romance e todo cortejo é moralmente um engano, simplesmente porque os cônjuges não puderam antever tudo o que aquele relacionamento traria para a vida de ambos?