Archive for category Salmos
A Excelência da Palavra de Deus nos Salmos (1, 19 e 119)
Posted by lidia in Antigo Testamento, Salmos, lançando luz on maio 22nd, 2009
Estes Salmos têm o propósito de demonstrar a excelência da Palavra de Deus. Para fazer isto os autores enfatizam a necessidade que temos de ouvir e praticar aquilo que Deus ordena nela, bem como os benefícios decorridos desta obediência. No salmo 1, o autor faz distinção entre dois grupos de pessoas, a partir da atitude que cada um toma com relação à Palavra de Deus. O primeiro grupo, são os justos que “tem o seu prazer na lei do Senhor e na sua lei meditam de dia e de noite”. O segundo grupo, dos que desprezam a lei do Senhor e terminarão na ruína, são os ímpios. Os autores dos salmos 19 e 119, ampliando esse conceito, lançam mão do uso de sinônimos da expressão hebraica – Toráh, que é geralmente traduzida por Lei. São eles:
LEI- Não está restrita à lei dada a Moisés, mas corresponde à lei de Deus no sentido mais amplo possível e que compreende absolutamente toda a determinação soberana e perfeita de Deus, revelando todo os aspectos de sua santidade, glória, poder e graça em seu relacionamento com o homem, para nossa obediência e conformidade
TESTEMUNHOS - A cópia da lei de Deus colocada dentro do Santo dos Santos no Tabernáculo e do Templo em Jerusalém servia de testemunha de acusação contra o povo de Israel diante do único Deus verdadeiramente misericordioso e perdoador.
PRECEITOS – Trás a idéia de diretrizes de Deus para que o homem saiba reconhecer Seus pensamentos, seus desejos, ou seja, as instruções dadas aos homens para dirigi-los na conduta correta.
DECRETOS - Falam da força obrigatória e da permanência das Escrituras em se tratando de leis registradas para sempre, perpetuamente.
MANDAMENTOS - São literalmente ordens diretas daquele que é onipotente, e tem que ser obedecido.
JUÍZOS - É a expressão de senso de valor de Deus do que é o bem e o mal; Seu exato julgamento, verdadeiro e justo, sem erro, daquele que é denominado Pai de Justiça, que julgará os vivos e os mortos.
PROMESSAS- Ela se refere a qualquer coisa que tenha sido dita por Deus. Como nem tudo o que Deus fala é promessa no sentido nato da palavra em português os tradutores têm optado por traduzir muitas vezes essa expressão por “palavra”.
TEMOR – Descreve o poder da Palavra de penetrar no íntimo do homem, gerando nele a reverência devida a Deus pelo reconhecimento claro de Sua santidade e glória. E que portanto, pode nos levar a uma vida de santidade e adoração.
PALAVRA - Este é o termo mais comum e abrange toda a verdade de Deus seja ela declarada, prometida ou mandada.
Além destas expressões, outras também são usadas no salmo 119 para se fazer referência à revelação de Deus. “teus caminhos” (v. 3 e 37); “teu nome” (v. 132); “tua fidelidade” (v .90). Estas duas últimas expressões servem para se referir à imutabilidade daquilo que Deus tem decretado.
Os Salmos dos Degraus, das Subidas, de Romagem ou de Peregrinação - Salmos 120-134
Posted by lidia in Antigo Testamento, Salmos, lançando luz on maio 8th, 2009
Por quê esses títulos foram dados para esse conjunto de salmos? Jerusalém recebia adoradores de toda parte do país durante o ano inteiro. Mas, em três ocasiões do ano as estradas que conduziam à cidade se enchiam de peregrinos que para lá se dirigiam a fim de adorar a Deus no Templo. Normalmente, iam com suas famílias, como no caso de Elcana e Ana (1 Sm 1.1s) e José, Maria e Jesus (Lc 2.41s). Deus havia ordenado que o seu povo se reunisse pelo menos três vezes ao ano para celebrar suas bênçãos. Eram três festas: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos - (Êx 23.14-17; Dt 16.16s). Jerusalém era, geograficamente, a cidade mais alta da Palestina, portanto, os que viajavam em sua direção, passavam a maior parte do caminho subindo. Ao chegarem à cidade, continuavam a subir, agora pelos 15 degraus que davam acesso ao pátio dos gentios no Templo. Durante o trajeto, além de caminhar, conversar com os companheiros de viagem, os peregrinos cantavam. Portanto, estes salmos recebem esse título porque eram cantados durante a viagem, ou na entrada do Templo. Alguns estudiosos têm sugerido que cada um deles era cantado em um dos degraus. Outros, sugerem que são cânticos que eram entoados nos diversos estágios da caminhada rumo à Jerusalém.
Em cada um deles há um desejo intenso por parte dos “romeiros” de estarem “na Casa do Senhor” (134:1), porque é onde mora o Senhor (132:14). Portanto, o salmista, apesar da viagem exaustiva e cheia de perigos e ciladas, fica alegre “quando lhe disseram: Vamos à Casa do Senhor” (122:1). Um olhar geral para a série toda, revela que este subir não era apenas literal, era também metafórico: a viagem para Jerusalém dramatizava uma vida vivida no sentido vertical, em direção a Deus, uma existência que avançava de um nível para outro numa crescente maturidade. Aquilo que Paulo descreve como “a soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fl 3:14). A figura dos hebreus cantando estes quinze salmos enquanto deixavam de lado suas atividades rotineiras e peregrinavam de suas vilas e aldeias, fazendas e cidades a caminho de Jerusalém, é o melhor cenário para compreendermos a vida como uma jornada de fé. Não há nada melhor do que estas “canções da estrada”, para aqueles que percorrem o caminho da fé em Cristo.
SALMOS MESSIÂNICOS
Posted by lidia in Antigo Testamento, Salmos, lançando luz on abril 30th, 2009
Quando observamos os sermões de Pedro, no dia de Pentecostes (At 2) e no sinédrio (At 4) vemos que eles estão cheios de citações do livro de Salmos, enquanto textos como Isaías 53, por exemplo, não são mencionados. Por quê? A resposta é muito simples. O livro de Salmos trata dos anseios humanos. Eles falam de sentimentos pessoais de frustração, de dor, de medo, de pedido de vingança. Falam da dependência de Deus, dos sonhos, das orações por justiça, por intervenção divina. Mas também falam dos sentimentos coletivos de Israel. A nação pede ajuda quando está assolada por seca ou por alguma praga. Clama diante de um inimigo mais poderoso. Pede perdão quando experimenta o juízo divino. Enfim, projeta sua confiança num libertador ou salvador. Todas estas expressões práticas de fé, tornaram os Salmos material essencial para dar substância ao Messias. O termo “Messias” corresponde ao hebraico para “Cristo”, que por sua vez se traduz do grego como “Ungido”. Ele aparece várias vezes nos Salmos para descrever a natureza do futuro Guia de Israel. Em sua pregação, Pedro está demostrando a seus ouvintes judeus que Jesus Cristo é o Messias esperado, o Ungido de Deus.
Os salmos mais reconhecidamente messiânicos são: 2, 8, 16, 22, 24, 40, 41, 45, 68, 69, 72, 87, 89, 102, 110, 118, 132. De modo geral, eles enfatizam três temas encontrados na teologia do Novo Testamento, em seu aspecto cristológico:
1) A humilhação e exaltação do Messias (Fl 2.9-11); 2) As tristezas presentes e o livramento futuro de Israel por sua atitude em relação ao Messias (Rm cap. 9 a 11); 3) As bênçãos futuras de todas as nações através do Messias reinante de Israel (At 11.18).
De modo mais específico eles apresentam vários aspectos da vida e obra do Messias: Pré-existência - Sl 45:6, ver Hb 1:8; Sl 110:1, ver Mt 22:42-46; Encarnação - Sl 89:3-4; 132:11 ver At 2:29,30; Sl 89:20, 29, 34-37, Mt 1:1-17 e Lc 1:31-33; Vida - Sl 118:22-23, ver Mt 21:42, 44 e 1 Pd 2:4-7; Sl 2:1-3, ver At 4:25-28; Sl 41:9; 55:12-14, ver Jo 13:18, 26, 27; Morte – Sl 22:1,6,7,11, ver Mt 27:46; Sl 22:12-18, ver Mt 27:35; Ressurreição - Sl 16:10, ver At 13:33-37 e 1 Co 15.4; Reinado – Sal 2 e 24; Sl 110:1; ver At 2:33-36; Sacerdócio - Sl 110:4, ver Zc 6:12-13; Sl 40:7-8 ver Hb 10:5-10; 9:23-26.
Os salmos messiânicos abrangem as eras eternais, vendo o Ungido como Deus que se tornou homem, como homem que foi tragicamente rejeitado e morto e como Senhor que foi exaltado aos céus de onde veio. Ali, como rei e sacerdote, ele consumará o plano de Jeová para todas as eras.
SALMOS IMPRECATÓRIOS - Desejar a destruição dos inimigos, não contraria a ordem bíblica de amá-los?
Posted by lidia in Antigo Testamento, Dificuldades na Caminhada Bíblica, Salmos on abril 23rd, 2009
SALMOS IMPRECATÓRIOS - Esses salmos são assim chamados por expressarem o desejo do salmista pela destruição de seus inimigos, apelando a Deus para que derrame sua ira sobre ele. São eles: Salmo 35, 52, 54, 55, 58, 59, 69, 83, 109 e 137.
As imprecações, ou “maldições” contra os ímpios eram fundamentalmente éticas, pois eram geradas por um profundo sentido de justiça; visavam a punição do ímpio pecador; nasciam do zelo ardente do Salmista pela honra de Deus e pelo bem do povo. Por isso, eram formuladas sobretudo na forma de orações. Frequentemente, as imprecações tinham como contexto a “lei de talião” (Êx 21. 12-25), que expressa, embora de forma rude, o princípio de que toda a culpa deve ser punida. Nas imprecações, o piedoso de algum modo identificava sua própria causa com a de Deus; via nas afrontas que sofria dos malvados, a ofensa da própria honra divina. Os inimigos do salmista não eram simples inimigos pessoais, mas encarnação do mal, gente que com suas maquinações tentava afastar o justo da prática do bem colocando em perigo a fidelidade à Lei do Senhor. Por isso, quem imprecava exprimia o desejo legítimo de que não houvesse mais inimigos de Deus. Quanto mais veemente e inflamada a imprecação, maior amor a Deus era atribuído ao salmista.
Quem imprecava não queria exercer a justiça/vingança por sua própria conta por isso, pedia que o próprio Deus a exercesse. Segundo a fé nos tempos do salmista, Deus, reto e justo, sempre dava a cada um segundo as suas próprias obras durante a vida terrena, pois ainda não havia a noção de retribuição escatológica no âmbito eterno. A transferência dos desejos de vingança para Deus permitia ao fiel uma espécie de catarse (purificação ou purgação da alma por meio de uma descarga emocional ), impedindo a explosão da violência física.
Portanto, uma visão bíblica dos salmos imprecatórios não os reconhece como problemáticos. Invocar a punição divina para os inimigos de Deus e de seu povo é orar de acordo com a vontade revelada de Deus. Afinal, esses salmos são uma parte da infalível e inerrante Escritura, “inspirada” e “útil” (2 Tm 3.16-17), especialmente como expressão dos lamentos e da revolta interior do cristão, que ainda hoje e mais do que no tempo dos salmistas hebreus depara constantemente com o mal moral. Ainda hoje, eles podem servir para as vítimas do mal elevarem o seu clamor pela manifestação da justiça de Deus, num protesto confiante e pacífico, frente à violência e o medo que as cercam.
LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DOS SALMOS – PARTE 2
Posted by lidia in Antigo Testamento, Salmos, lançando luz on abril 17th, 2009
O livro dos Salmos é composto por cinco coletâneas de cânticos sagrados: Livro I ( 1-41); Livro II – (42-72); Livro III –(73-89); Livro IV – (90-106); Livro V – (107-150); cada coleção terminando com uma bênção proferida sobre Deus.
Cabeçalhos - Os cabeçalhos, ou epígrafes, que se encontram no início de muitos dos salmos identificam o escritor, fornecem o contexto histórico, dão instruções musicais, ou indicam o uso ou o objetivo do salmo. (ver 3, 4, 5, 6, 7, 30, 38, 60, 92, 102). Ocasionalmente, os cabeçalhos fornecem as indicações para se encontrar outros textos que esclarecem determinado salmo. (Compare Sl 51 com 2 Sa 11:1 a 12:14). Provavelmente, alguns destes cabeçalhos foram incluídos pelos próprios autores, outros, pelos compiladores dos salmos. O que dá apoio a isso é que, já no tempo da escrita dos Rolos do Mar Morto dos Salmos (entre 30 e 50 a.C), os cabeçalhos já faziam parte do texto principal.
Escritores. Dentre os 150 salmos, os cabeçalhos atribuem 73 a Davi, 11 aos filhos de Corá, 12 a Asafe, um a Moisés, um a Salomão e um a Etã, o ezraíta. Os autores de quase um terço dos salmos não são identificados.
As datas dos salmos abrangem, pelo menos, nove séculos. Moisés escreveu no 15º século a.C., e alguns dos salmos foram escritos depois da volta do cativeiro (p.e. Sl 147:2), que aconteceu no 6º século a.C. A grande maioria vem da época do reino unido, quando a arca da aliança foi levada a Jerusalém e o templo foi construído naquela cidade. Acredita-se que Esdras, o escriba, tenha sido o responsável pela organização do livro dos Salmos na forma que o conhecemos hoje.
Por que Jesus escolheu o Salmo 22 para ser citado na hora mais crucial de sua trajetória terrestre – a cruz?
Posted by lidia in Antigo Testamento, Dificuldades na Caminhada Bíblica, Salmos on abril 17th, 2009
O Salmos 22 faz parte de uma trilogia de salmos - 22, 23 e 24. Os três falam de Jesus: O 22 fala da cruz do Cordeiro; o 23, fala do cajado do Bom Pastor; e o 24, fala da coroa do Rei. Mas por que ele estava na mente de Jesus naquele momento crucial? Este salmo foi composto por Davi e começa descrevendo suas tribulações, provavelmente, enquanto fugia da perseguição feroz, empreendida por Saul. Entretanto, à medida que prosseguimos na leitura, observamos que, quando Davi falava de seus problemas e desafios, ele sempre se voltava para Deus. Palavras de frustração se alternam com palavras de fé; expressões de lamento e decepção se alteram com expressões de louvor, adoração e vitória. O esboço da primeira parte desse salmo é: problemas, Deus, problemas, Deus, problemas, Deus. Para entender o que Jesus estava dizendo quando gritou na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”, temos de lembrar que, em seus dias, as pessoas não possuíam cópias pessoais das Escrituras às quais pudessem recorrer. Para enfrentar a tentação, refutar erros e meditar nas promessas de Deus , elas precisavam memorizar as Escrituras. Por isso, citar a primeira parte de um salmo fazia com que os ouvintes judeus se lembrassem do salmo inteiro. Gostaria de sugerir, então, que quando Jesus citou Salmos 22 na cruz, Ele não tinha em mente simplesmente a dor do salmo, mas também o louvor do salmo. Pedro escreveu sobre “os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam” (1 Pd 1:11). O salmo 22 não fala só de sofrimento, mas também da glória que o seguiria. Jesus não tinha em mente só a tragédia da cruz, mas a vitória; não só o peso do pecado, mas também a expectativa pela volta ao lar celestial. As palavras de Jesus, devidamente entendidas, não eram apenas um grito de desespero mas também um grito de vitória!
LANÇANDO LUZ SOBRE O LIVRO DOS SALMOS
Posted by lidia in Antigo Testamento, Salmos, lançando luz on abril 13th, 2009
O livro dos Salmos é o maior livro da Bíblia, contêm o capítulo mais extenso (119.1-176), o mais curto (117.1,2) e o versículo central da Bíblia (118.8). É o hinário e o livro devocional dos hebreus e tem sido o livro mais lido e estimado do Antigo Testamento pela maioria dos crentes em todos os tempos. É o livro do Antigo Testamento mais citado no Novo (186 citações). A característica principal do livro é um estilo poético chamado paralelismo, que utiliza mais o ritmo das idéias do que o ritmo da rima ou da métrica. Muitos foram escritos como cânticos de louvor e adoração a Deus por seus atributos e seus feitos; outros como expressão de confiança, amor, ações de graças e anelo por maior comunhão com Ele; outros ainda descrevem desânimo, intensa aflição, medo, ansiedade, humilhação e clamor por livramento.
Nenhum outro livro da Bíblia expressa tão bem a gama inteira das emoções e necessidades humanas em relação a Deus e à vida. Suas expressões de louvor e devoção nascem nos mais altos picos do triunfo, e seus brados de desespero ecoam dos vales mais profundos do sofrimento.