Archive for category Dificuldades na Caminhada Bíblica

LANÇANDO LUZ SOBRE O NOVO TESTAMENTO

Nesta semana, estamos iniciando a leitura do Novo Testamento e, assim como no Antigo Testamento, Cristo é o tema central. No Antigo testamento Ele era o Cristo da promessa, agora no Novo, o Cristo da história. Ele era a esperança do Antigo e o fato do Novo. A expectativa do Antigo que tornou-se experiência no Novo. A previsão que se transformou em provisão. O que era latente no Antigo, ficou patente no Novo. O que foi predito está hoje presente. Os 27 livros que formam o Novo Testamento foram escritos num período de pouco mais de 50 anos (45 a 100 d.C.), em grego comum, idioma dos povos helenizados, embora a língua popularmente falada na Palestina, na época de Jesus, fosse o aramaico. Os livros circulavam separadamente, mas devido: 1) a rápida expansão do cristianismo; 2) o surgimento de literatura apócrifa e; 3) a dissiminação de heresias no sei da igreja, foi necessário que, gradualmente, eles fossem reunidos numa só coleção reconhecida pela Igreja Primitiva. É impossível estabelecer com exatidão a cronologia dos livros, mas podemos situá-los em três períodos dentro da história do cristianismo no primeiro século: 1) O Período do Começo (6 a.C a 29 d.C.) – Vida e ministério de Cristo narrados nos 4 Evangelhos, que entretanto, não foram escritos nesse período; 2) O Período de Expansão (29 d.C. a 60 d.C.) – O desenvolvimento do Evangelho desde Jerusalém até Roma. (Tiago, Gálatas, 1 e 2 Tessalonicenses, Marcos, 1 e 2 Coríntios, Romanos, Lucas, Colossenses, Efésios, Filipenses, Filemom, Atos e Mateus foram compostos nesse período); 3) O Período de Consolidação (60 d.C. a 100 d.C.) – (1 Timóteo, 1 Pedro, Tito, 2 Timóteo, 2 Pedro, Hebreus, Judas, João, 1, 2 e 3 João e o Apocalípse foram escritos neste período).

 

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LANÇANDO LUZ SOBRE OS LIVROS DE AGEU E ZACARÍAS

Sob a liderança de Zorobabel, o primeiro grupo de judeus que voltou à Jerusalém, lançou os alicerces do novo templo em 536 a.C., em meio a muita emoção e expectativa (Ed 3.8-11). Mas, os samaritanos e outros vizinhos opuseram-se à construção e conseguiram interrompê-la por mais ou menos 15 anos. A letargia espiritual generalizou-se, e o povo passou a preocupar-se apenas com a construção e o embelezamento de suas próprias casas (Ag 1.4,9). Em 520 a.C., o profeta Ageu e o jovem profeta Zacarías, exortam Zorobabel, Jesua e todo o povo a reordenar suas vidas e suas prioridades, retomando a construção do templo para que voltassem a receber as bênçãos de Deus. Eles também encorajaram os judeus mais velhos, que ficaram desanimados devido às humildes dimensões do novo templo comparado ao grande templo de Salomão (Ed 3.12). A exortação foi acatada e, no período de quatro anos, a obra foi concluída e dedicada ao Senhor (Ag 1.12-15; 2.1-9,19; Zc 8).

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POR QUE ESDRAS ORDENOU QUE OS ISRAELITAS DESPEDISSEM SUAS ESPOSAS “NÃO CRENTES”, SE MAIS TARDE, NO NOVO TESTAMENTO, PAULO NOS DIZ PARA NÃO FAZER ISSO?

Esdras fez com que todos os israelitas despedissem suas “mulheres estrangeiras”, porque elas estavam “aumentando a culpa de Israel (Ed 10.10). Entretanto, quando perguntaram a Paulo se o crente deveria divorciar-se de sua esposa não crente, ele disse: “se algum irmão tem mulher incrédula, e esta consente em morar com ele, não a abandone” (1 Co 7.12). É preciso observar que Esdras está falando a judeus, entre eles líderes que, contrariando a ordem de Deus, e menosprezando as tristes conseqüências desta prática (O Cativeiro), haviam se casado com mulheres estrangeiras (Êx 34.10-17; Dt 7.1-4; Ed 10.10,18). Ao passo que Paulo,  está se dirigindo a maridos que haviam se convertido do paganismo, cujas esposas não tinham abraçado a fé cristã (1 Co 7.12,14,16). As esposas que Esdras ordena que sejam despedidas, não eram apenas “incrédulas” que “consentiam” em morar com o marido, sendo “santificadas” por ele. Elas eram mulheres estrangeiras, adoradoras de ídolos (Ed 10.30; Ne 13.23-26), que estavam trazendo influência pagã sobre seus maridos. Deus havia dito a Salomão que suas mulheres pagãs lhe “perverteriam o coração”, para seguir “os seus deuses” (1 Rs 11.2).

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Como pode Ezequiel 18.20 dizer que Deus não pune os filhos pelos pecados de seus pais, se o texto de Êxodo 20.5 afirma que Deus visita a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração?

Para esclarecermos esta aparente contradição entre os dois textos, precisamos fazer uma clara distinção entre “culpa pelo pecado” e “conseqüências pelo pecado”.  Nos dias do profeta Ezequiel, havia se formado em Israel o costume de se colocar a culpa dos fracassos pessoais nos antepassados (18.2). Deus então, levanta Ezequiel para ensinar ao povo o conceito da responsabilidade pessoal, quanto à culpa pelo pecado. Ele está falando que a culpa que os pais têm, por terem pecado, não se transfere para os filhos (18.3-20); mas Moisés refere-se às conseqüências dos pecados dos pais, dizendo que estas sim, passam para os filhos. Não ignoramos o fato de que pais que vivem na prática do pecado, seja ele qual for, estão estabelecendo um padrão de comportamento que, com grande probabilidade, será seguido por seus filhos, trazendo sobre eles, as mesmas conseqüências colhidas por seus pais (Gl 6.7). Entretanto, isso não significa que os filhos sejam culpados pelos pecados de seus pais. É importante observar também que a “transferência” das iniqüidades de uma geração para outra, acontece com “aqueles que O aborrecem”, isto é, aqueles que não cumprem os seus mandamentos (Êx 20.3-5).

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Como Elias poderia ter enviado uma carta ao rei Jeorão, depois de sua partida para o céu? (2 Cr 21.11,12)

Quando Jeorão se tornou rei em Judá, ele “fez altos nos montes de Judá, e seduziu os habitantes de Jerusalém à idolatria, e fez desgarrar a Judá”.  O versículo seguinte diz que, em resposta aos pecados de Jeorão, o profeta Elias enviou-lhe uma carta descrevendo o juízo de Deus sobre ele, sua casa e seu reino. Entretanto, se, aparentemente,  Elias tinha sido trasladado antes do reinado de Jeorão, então como poderia ter enviado essa carta a Jeorão? Para esclarecer essa aparente contradição, precisamos voltar ao texto de 2 Reis 2.9-14. Alí o escritor afirma simplesmente que, Elias foi trasladado durante o reinado de Jorão, filho de Acabe, que reinou em Israel de 852 a 841 a. C., sem contudo, especificar a data exata. Jeorão, filho de Josafá, reinou sobre Judá de 848 a 841 a. C.. Portanto, como Elias foi trasladado num certo dia durante o reinado de Jorão de Israel, que reinou quase que no mesmo período que Jeorão reinou sobre Judá, é perfeitamente razoável que ele tenha enviado aquela carta repreendendo  Jeorão por sua idolatria (2  Cr 21. 12-15), uma que, com certeza, sua trasladação só teria ocorrido após o envio dela.

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A BÍBLIA AFIRMA QUE DEUS É UM DEUS DE VERDADE, QUE NÃO PODE MENTIR, NEM TENTAR OUTROS A PECAR (Nú 23.19; Tg 1.13). ENTÃO COMO ELE PÔDE TER ENGANADO JEREMIAS?

Algumas versões da Bíblia (p.e. a NVI), traduzem o texto de Jeremias 20.7 da seguinte forma: “Senhor, tu me enganaste, e eu fui enganado…”. Na versão Revista e Corrida lemos: “Iludiste-me, ó Senhor, e iludido fiquei;…”. A palavra hebraica (patah) traduzida como o verbo “enganar” ou “iludir” nestas versões, não pressupõe um engano moral. Ela pode ser traduzida pelo verbo “seduzir” ou “persuadir”, como na versão Revista e Atualizada. O sentido é o de que Deus persuadiu ou constrangeu Jeremias a exercer um ministério a respeito do qual ele não tinha plena consciência de todas as conseqüências, que no caso, foram extremamente dolorosas para Jeremias. Esta pode ser uma boa descrição do que acontece no casamento. Quem, a não ser alguém muito tolo ou cínico, poderia insistir na tese de que todo romance e todo cortejo é moralmente um engano, simplesmente porque os cônjuges não puderam antever tudo o que aquele relacionamento traria para a vida de ambos?

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POR QUE O TEXTO DE ISAÍAS 14.4-27, É CONSIDERADO UMA REFERÊNCIA À QUEDA DE SATANÁS?

Muitos comentaristas consideram o texto de Isaías 14.4-27, juntamente com a de Ezequiel 28.11-19, como referências à queda de Satanás. Embora o contexto imediato, não trate especificamente de Satanás, a maior parte do que sabemos sobre a seu estado original, sua rebelião e sua queda, está baseado nestes dois textos. Mas, por que, já que o que lemos em Isaías é uma profecia contra o rei da Babilônia, e em Ezequiel, uma repreensão ao rei de Tiro? A Bíblia ensina que a perversidade do mundo visível é influenciada por um domínio povoado por espíritos caídos, invisíveis (Dn 10.12-13; Ef 6.12), e que, em sua campanha de frustrar os propósitos do Deus verdadeiro, esses espíritos maus são dirigidos por Satanás, o “deus deste século” (2 Co 4.4). O que chama a atenção nas profecias de Isaías e Ezequiel é o fato de que elas incluem descrições que, mesmo levando em conta a inclinação megalomaníaca dos governantes da Antiguidade, não poderiam ser atribuídas a qualquer ser humano. O emprego de termos como: “Eu subirei aos céus…”; “exaltarei o meu trono acima das estrelas de Deus…”; “me assentarei… no ponto mais elevado do monte santo…”; “serei como o Altíssimo…” (Is 14.13-14) refletiria um nível de ostentação insana, caso fosse proferido por um mero ser humano, mesmo em se tratando de um dos monarcas pagãos babilônicos, que a si mesmos divinizavam. Além disso, algumas versões (como a Vulgata) traduzem “filho da alva” (Is 14.12) com o nome de “Lúcifer”. E qual rei de Tiro poderia ser descrito como “modelo de perfeição, cheio de sabedoria e de perfeita beleza…”; “você estava no Édem…”; “você foi ungido como um querubim guardião…”; “você era inculpável em seus caminhos desde o dia em que foi criado…” (Ez 28.12,15)?

Após a queda, os rebeldes de Babel (de onde procede o termo Babilônia) estavam determinados a construir “uma cidade e uma torre” (Gn 11.4). A cidade era um centro de atividade comercial, enquanto a torre representava o ponto principal do culto pagão. É interessante notar que enquanto Ezequiel repreende severamente a Tiro – o mais importante centro de comércio e de riqueza em seus dias – Isaías denuncia Babilônia, que representa o centro da falsa religião ao longo de toda a Escritura. Talvez essa caracterização do cosmo caído ajude a explicar o salto dado pelos profetas nas passagens que consideramos. De modo específico, essas profecias foram dadas àqueles que viveram nos dias de Isaías e Ezequiel, e seu significado era imediato para eles. Contudo, passagens paralelas no NT, tais como Lucas 10.18 e Apocalípse 20.2, 3 indicam que elas podem ter uma aplicação mais ampla, ou seja, uma descrição da derrota final do Príncipe do mal que governa este mundo, a quem Deus por fim destruirá (Ap 20.10).

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